CRISTO, O BOM PASTOR: ESCUTA, SEGUIMENTO E COMUNHÃO NA IGREJA
“Eu sou o Bom Pastor que dou a vida pelas minhas ovelhas” (Jo 10,11)

01/06/2026 às 15:51h

Jesus transmitia seus ensinamentos por meio de parábolas, muitas delas relacionadas com a vida concreta daqueles que estavam ao seu redor. No Evangelho de Jo 10,1-10, Jesus proclama a parábola do Bom Pastor, que continua a ressoar em nossa liturgia como uma solene advertência.

Primeiramente, é preciso diferenciar o ouvir do escutar. O ouvir é um ato natural, fisiológico, que não necessita de atenção; é passivo. Já o escutar é uma atitude ativa, daquele que inclina o coração para estar atento ao que o emissor quer transmitir e, nesse sentido, envolve uma atividade intelectiva e volitiva. O escutar implica, de modo geral, uma resposta; todavia, esta só acontece depois de termos acolhido o que foi escutado na mente e no coração.

 A questão que se apresenta é se, diante de Deus, ouvimos ou escutamos o que Ele nos quer transmitir? No Evangelho, Jesus diz que “as ovelhas escutam a sua voz” (cf. v. 3), ou seja, não permanecem inertes ao ouvi-lo, mas põem-se em seguimento como verdadeiros “discípulos missionários” em prol do Reino de Deus. O seguimento a Ele é resultado da escuta atenta da Palavra proclamada e da contemplação desta que faz os “corações arderem e os pés se colocarem a caminho”. Ninguém pode ser discípulo de Jesus se não tiver escutado com o coração e contemplado com a razão iluminada pela fé. Escutar implica seguir, e o seguimento se dá enquanto redil, isto é, enquanto comunidade unida, que busca caminhar pelos caminhos conduzidos pelo Pastor.

Na Igreja, somos o grande aprisco de Deus: uma comunidade que caminha unida, escutando a voz daquele que é a porta da salvação. Somente em Cristo somos Igreja. A porta que se abre para nós no Batismo é a inserção nessa grande família de Cristo, onde o caminho conduz ao próprio Caminho. Somos unidos na unidade da Igreja, e esta constitui objetivamente um laço que nos torna família. Por isso, não podemos escolher apenas o que nos convém na Igreja; isto é, não somos católicos “self-service”, que selecionam aquilo que agrada e rejeitam o restante. A Igreja é una e católica; possui uma unidade fundamentada na diversidade e, ainda assim, não admite divisões ou rixas. Afinal, poderia Cristo ter um rebanho fragmentado? Quem seria salvo por Ele? Onde estaria a verdade?

 Vivemos tempos difíceis, nos quais o conceito do que é ser católico tornou-se banal. Estaria a Igreja Católica fadada a ser apenas mais uma instituição com visibilidade restrita aos livros de história? A Igreja de Cristo permaneceu firme diante das perseguições de imperadores e de exércitos vorazes. Nem os mais poderosos conseguiram derrubá-la. Satanás fracassou e continuará a fracassar, mesmo diante de aparentes vitórias. Sim, a Igreja Católica não perecerá. Contudo, isso se dá porque ela possui o Pastor Bonus, que a guia, sustenta e mantém todos na sua graça.

Irmãos, não podemos ser católicos de escolhas individuais; devemos abraçar a totalidade da fé, amar a Igreja que tanto nos ama e acolhe, ser fraternos com aqueles que nos injuriam e amar até mesmo os inimigos. Esses são os sinais de quem pertence ao redil de Cristo. É preciso compreender que, ao falar mal da Igreja, estamos nos referindo também a nós mesmos, pois somos seus membros.

 Irmãos, precisamos reacender em nós o amor que os mártires tiveram pela Igreja: amá-la e defendê-la sempre na verdade, reconhecendo a santidade que lhe é inerente. Não tenhamos medo de pertencer ao aprisco de Cristo; somente nele há salvação. Não escutemos as vozes do mundo que clamam por um “rebanho liberal”, pois é assim que as ovelhas se perdem, ficando sem rumo, à deriva dos ladrões e mercenários. Cristo já nos salvou e nos abriu a porta para entrarmos; cabe a nós decidir se escutaremos a sua voz ou apenas ouviremos suas palavras.

Fonte: Diácono Eduardo Augusto