Confesso que custei a entender esta sentença. Recalcitrar significa opor-se e Aguilhão é uma vara com ponta de metal que os agricultores usam para tanger o boi. Se o boi embesta de não ir para o caminho devido, o colono lhe dá um pontaço e ele volta para a estrada. E se não obedece, ele recebe outro golpe que lhe provoca dor. Esta frase foi usada por Cristo para São Paulo, a caminho de Damasco, entendendo que o seu comportamento ao perseguir cristãos era errado, e ele deveria mudar a atitude.
Como todo o cristão é obrigado a evangelizar, ouso usar esta imagem para explicar que o Pároco, no lugar de Cristo, deve ‘cutucar’ seus paroquianos para que eles também preguem o Evangelho, missão que não é exclusiva de padres e freiras. Nas paróquias todas existem Movimentos Religiosos com o objetivo de difundir a Religião, sendo como que batalhões no Exército de Deus, na guerra contra o paganismo. Mencionarei alguns, ciente de que poderei esquecer outros:
M C C – Movimento de Cursilhos de Cristantade – evangelização total.
Apostolado da Oração – devotado ao culto do Sagrado Coração.
C L J – incrementando os jovens, com ênfase nas suas lideranças.
SHÖENSTATT – tem como objetivo Maria, em particular a reza do Terço.
Legião de Maria – Legionárias voltadas à devoção à Nossa Senhora.
Movimento Serra – fomenta o cultivo das Vocações Sacerdotais.
E C C – Encontro de Casais – dedicado à preparação e vivência do matrimônio.
VICENTINOS – mais voltado para as obras assistenciais.
Interessante se observar que o cristão, quando engajado num Movimento, é um autêntico soldado “em ordem de batalha” e se doa integralmente. Óbvio que qualquer Movimento deve estar em sintonia com o Pároco. Existem alguns que dão a impressão de serem propriedade do leigo, e então não funcionam. O objetivo, o foco, o norte devem ser sempre a difusão do Reino de Deus. Jamais (e seguidamente acontece) voltar-se para a exposição de vaidades pessoais. Porque então deixa de ser divino e despenca para o diabólico. Lembremo-nos sempre que Satã era um anjo...
Podemos estruturar a Evangelização sob quatros passos. 1º TESTEMUNHO – Se eu não vivo aquilo que ensino, é como aquele que prega moral de cuecas, legítimo fariseu: ‘façam o que eu digo, mas não o que eu faço’. 2º FORMAÇÃO – Se o professor não entende da matéria, o que transmitirá aos alunos? O cristão tem de estar familiarizado com a Bíblia e o Catecismo. 3º CARIDADE – será o motor do seu agir. Compartilhar com os que estão fora a sua pertença à Igreja. Quanta gente há, necessitando de Religião, e ninguém lhe alcança o Pão da palavra, o Pão da Eucaristia. 4º AÇÃO – é o agir, a missão propriamente dita, o anúncio. Muitos cristãos vivem acomodados na sua bem estruturada família e não enxergam os ‘pagãos’ que pululam à sua volta.
Finalizo com a exortação máxima do maior evangelizador da História da Igreja: São Paulo – “Ai de mim, se eu não evangelizar” (1Cor 9,16) – Não precisa dizer mais nada!.