Jesus Cristo volta, e a sua volta é um dogma da nossa fé. Também é verdade que na sua segunda vinda voltará como Rei glorioso e triunfal, diferentemente da sua primeira vinda em que se esvaziando a si mesmo assumiu as nossas fraquezas até reinar desde o madeiro da cruz. Nesse sentido, Jesus, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, é Rei da humanidade não só no sentido metafórico, mas sobretudo em sentido literal e próprio. É evidente que como Verbo de Deus, consubstancial ao Pai, possui, desde toda a eternidade, em comum com o Pai todas as coisas e, portanto, também o mesmo poder supremo e absoluto sobre toda a criação. Mas, ao se fazer homem e por direito de conquista, isto é, por ter redimido ao mundo com sua paixão e morte na cruz, Ele recebe do Pai a potestade, o poder e o reino (Dn VII, 13-14).
O papa Leão XIII de feliz memória dizia o seguinte:
O império de Cristo se estende não só sobre os povos católicos e sobre aqueles que tendo recebido o batismo pertencem de direito à Igreja, ainda que o erro os tenha extraviado ou o cisma os tenha separado da caridade, mas também compreende a quanto não participam da fé cristã, de sorte que sob a potestade de Jesus se contra todo o gênero humano. (Enc. Annum sacrum, 25 mayo 1899).
Em Cristo encontramos a fonte do bem, tanto público como privado. Por tanto só n`Ele os indivíduos e as nações encontrarão a verdadeira felicidade. Pois bem, essa felicidade se dará se buscássemos em primeiro lugar o reino de Deus. Enfatiza o Pe. Meinvielle: “A vida do homem, e por tanto sua história, a história dos povos, deve ser ajustada ao ensinamento do Senhor, que pode ser resumido naquela palavra do Evangelho: Buscai primeiro o reino de Deus e a sua justiça e todo o demais vos será acrescentado”. (MEINVIELLE, 2020. pag. 16).
Mas o que temos visto nos últimos cinco séculos é justamente o contrário, onde os indivíduos e as nações se têm empenhado em buscar não o reino de Deus, e nem sequer os acréscimos, mas o próprio bem. O homem moderno tem buscado a sua felicidade sem Deus, tem buscado primeiramente o reino do homem, e o que observamos é ruína e desgraça em todas as esferas.
Enquanto o homem mais evolui na tecnologia ou nos descobrimentos, mais prejudicial se torna para ele pois tudo contribui para a sua degradação intelectual e moral. O fato de as nações terem se afastado de Deus, seu fundamento ocasionou uma degradação fatal em todas as suas estruturas. Os fundamentos da civilização ocidental foram construídos sobre a base do cristianismo, por isso ela se manteve durante vários séculos incólume diante de seus inimigos. No momento em que o homem pretendeu emancipar-se de seu Criador, a história humana e a das nações entraram em declive.
Podemos falar ainda de civilização quando se cultua a feiura, o caos e a crueldade? Se pode chamar civilização quando se favorece a degradação das ideias e dos costumes, quando se estimula o genocídio em massa de pessoas inocentes no ventre de suas mães, quando se corrompe a instituição familiar e se paganiza a vida pública? Para evitar esse vazio causado pela insanidade atual as pessoas estão indo atrás de novos prazeres, novas tecnologias e tornam-se almas cada vez mais frias e egoístas. Pretender separar a Deus da vida pública é o mesmo que dizer que Ele somente se preocupa pela vida privada do homem. Consequência disso são as sociedades cada vez mais ateias, com políticas ateias. Deus uniu em Cristo o temporal e o espiritual, por tanto ambos devem adorar a Cristo, isto é, os governantes e os pastores da Igreja.
Obviamente, o objetivo nosso não é propor uma volta ao passado materialmente falando, dado que isso hoje não é possível, tendo em conta a evolução material dos povos em todos os sentidos. Porém, sim, podemos e devemos voltar ao espírito que animou a construir a civilização que a Revolução anticristã destruiu, porque esse espírito não é de ontem ou de hoje, mas é o eterno Espírito de Deus que deve penetrar em tudo e em todos os tempos. Devemos afirmar a Realeza Universal de Cristo, seja no plano espiritual quanto no temporal, pois é um direito que lhe pertence. Senão o laicismo e o naturalismo continuarão a infeccionar e perverter não só os organismos do estado, mas sobretudo as famílias, as escolas, as universidades, etc. Devemos devolver a Deus o que é de Deus, a autoridade pública deve reconhecer que o poder vem somente e unicamente de Deus e por tanto não só as leis não só não devem contrariar os ensinamentos de Cristo, mas elas devem ser feitas tendo como base o próprio decálogo. Em outras palavras, o único modo de garantir a paz, a convivência sã, a justiça e todas as demais virtudes na terra é observando integralmente a ordem estabelecida por Deus.
Sem Cristo, o Rei, a sociedade humana, com o tempo, torna-se moral e espiritualmente um cadáver, devido à ausência de sua alma. Proclamemos o poder de Cristo sobre as nações. Sejamos valorosos soldados deste grande Rei. Assim nossas pobres vidas podem unir-se a algo grande. Recorramos à Imaculada e militemos sob a bandeira de Cristo, a quem pertencem a realeza, o poder e a glória sobre todos os homens, sobre toda a criação, sobre toda a história.