COMO ANDAM OS NOSSOS SERMÕES?

30/03/2026 às 13:28h

Penso até que estão num bom nível. Percebe-se que os padres preparam suas homilias, lêem  bastante e se conscientizaram que é um momento pedagógico essencial durante a Santa Missa. Admiro a fala do Bispo, substanciosa e fundamentada, embora um pouco espichada. O Pe. Leonir ultimamente tem um desempenho elogiável no púlpito. Em determinadas paróquias, os celebrantes simplesmente repetem frases das duas Epístolas, temperam com algum pensamento do Evangelho, e deu pra bola. Quando estive no Seminário, abençoado e lucrativo período, os mestres obrigavam a ouvir a conversa do Brizola, na sexta-feira, na Guaíba. Eram contra o Governador, que o adjetivavam de ‘comunista’. Mas exigiam atenção na sua oratória, nos exemplos que citava, que incutiam a idéia que ele propunha. “Assim, devem ser os vossos sermões”!

Tihamer Toth, famoso orador sacro e autor de inúmeros livros, perguntado qual o segredo das suas homilias, respondeu: “No momento que falo, eu tenho numa mão, o Evangelho, e na outra o Jornal”. Queria explicar que as homilias sempre serão fundamentadas nos versículos da Bíblia, que deverão ser aplicados nas situações da vida prática, no dia a dia, nos acontecimentos da existência doméstica

Os celebrantes estejam cientes que, na hora do sermão, o povo está atento, assentado em seu lugar, com os olhos e ouvidos cravados no púlpito. Mal comparando, são como as avezinhas no ninho, de bico aberto, aguardando a comidinha que a mãe passarinha lhes colocará na boca. E aceitam tudo o que o pregador lhes apresentar. Sem discordar, e com a máxima boa vontade. Daí a tremenda responsabilidade de quem está falando. Se o alimento for fraco, o povo sairá subnutrido.

Não querendo ser irreverente, vem-me à menta a piada daquele cristão que sempre ia à Missa, mas meio que pegava no sono, na hora do sermão. Certo dia, o vizinho lhe perguntou se tinha ido à igreja e o que o padre falara na homilia. Titubeando, respondeu   que ele falou sobre o Pecado. “Mas o que ele disse, sobre o pecado?” – insistiu o interlocutor. Então nosso amigo lascou: “Acho que ele era contra...”

Existe um livro “Os sermões do Cura d’Ars”. Este padre foi declarado patrono dos sacerdotes, modelo para os párocos. Óbvio que sua vida foi marcada por uma santidade incomum. E naturalmente, aqueles tempos não são os tempos modernos. Todavia, suas homilias eram  quilométricas. Não tinha papas na língua. Desmascarava o demônio, e incutia nos fiéis o horror do inferno. De um certo modo, apelava para a chamada “pedagogia do cagaço”. “Quem se entregou ao vício impuro será coberto de dragões e serpentes que o devorarão por toda a eternidade... Da boca que vomitou  impudicícias,   sairão turbilhões de chamas... O avaro sentirá fome a ponto de se devorar a si mesmo...E o pior de todos estes tormentos é a certeza que eles durarão por toda a eternidade”...

Hoje, o mundo anda um tanto anestesiado. Evita-se falar de medos, coisas terríveis, fatos tenebrosos. Tudo tem de ser light, não ferir nem constranger, evitando machucar sensibilidades. Só que a VERDADE está debaixo do nosso nariz, nua e crua. Dir-se-á que não é minha responsabilidade salvar o mundo. Mas um dia, a Alguém teremos de prestar contas, como no Confiteor ...” por nossos pensamentos, PALAVRAS, atos e omissões!!!”

Fonte: Lirio Zanchet