“Senhor, ensina-nos a reconhecer o teu rosto em cada criança que sofre” — prossegue o Papa — “que a vulnerabilidade delas desperte em nós a compaixão e nos impulsione a cuidar, acompanhar e amar com gestos concretos de solidariedade”.
No mês que passou, caros leitores, recordo a intenção do Papa pelas crianças com doenças incuráveis. Porém, irmãos, não quero me limitar apenas às crianças, mas englobar também todos aqueles que vivem em situação de fragilidade física e psicológica.
Refiro-me, de modo especial, às crianças e aos adolescentes que muitas vezes enfrentam a escassez no seio familiar, a ausência dos pais, a educação precária e julgamentos que os afundam ainda mais em uma vida desolada. “Quem causar escândalo a um só destes pequenos que creem em mim, melhor seria que lhe amarrassem ao pescoço uma grande mó e o lançassem ao fundo do mar” (Mt 18,6).
E não apenas eles, mas também os idosos, que necessitam de atenção, carinho e paciência. É missão da família e das comunidades acolher essas almas fragilizadas, não somente pela doença, mas também pela frieza encontrada, muitas vezes, no próprio lar.
Em nosso país, temos uma pequena e humilde santa que nos deixou um grande exemplo a ser seguido por todos: Santa Dulce dos Pobres. Sentiu a necessidade de consolar o próximo: crianças, jovens, idosos e enfermos que haviam sido abandonados. Essa missão de cuidar do outro é confiada a cada um de nós. Muitas vezes, aquele que precisa de ajuda e apoio está dentro do nosso próprio lar: no cônjuge que carrega sozinho o peso do trabalho, nos filhos que não conseguem se expressar com os pais, nos idosos que, tantas vezes, são deixados sem a devida atenção.
Esta mensagem, irmãos, é uma lição de amor para nós, que vivemos sempre “ligados” e raramente nos “desligamos” para viver o presente, desfrutar das companhias que temos agora, pedir perdão a quem magoamos, ouvir quem não ouvimos e abraçar quem deixamos de abraçar.
Recordo também Maria Eduarda, uma jovem que se tornou conhecida recentemente por ser como uma versão feminina de Carlo Acutis. Uma criança acometida por um câncer raro, que levou sua família e todos os que conheceram sua história a sair do “automático” para viver mais intensamente a fé, buscar a Deus, a Igreja e valorizar a família. Do mesmo modo, a vida de Carlo Acutis tocou muitos corações; Carlo saía ao encontro dos mais fragilizados para consolar e ajudar.
E mais do que isso: quando esses jovens se viram diante da doença, não desanimaram. Abraçaram com amor a própria cruz, oferecendo seus sofrimentos pela Igreja, por suas famílias e pelos pecadores.
Você, irmão, que hoje se encontra enfermo em uma cama, na solidão, enfrentando um problema familiar ou financeiro, entregue tudo a Deus. Afinal, “se o grão de trigo não cai na terra e não morre, fica só; mas, se morre, produz muito fruto” (Jo 12,24). É preciso confiar e abandonar-se nas mãos do Senhor para que a dor seja transformada em esperança e, no tempo de Deus, em alegria.
Que não apenas nesta Quaresma, caros irmãos, mas em toda a nossa missão pessoal e comunitária, possamos reconhecer e valorizar Jesus presente no cotidiano, no próximo que tem sede e não damos de beber, que tem fome e não damos de comer, que tem frio e não damos de vestir.
Uma abençoada Quaresma a todos os missionários da Igreja!