A CONVERSÃO QUARESMAL: UM CAMINHO DE TRANSFORMAÇÃO CONSTANTE

02/03/2026 às 10:27h

Queridos irmãos e irmãs em Cristo da Diocese de Frederico Westphalen,

Neste tempo sagrado da Quaresma, somos convidados a refletir sobre a “conversão quaresmal”, um processo essencial na vida de todo católico. Mas o que significa essa conversão? No coração da fé católica, a conversão não é um evento isolado, mas uma jornada contínua de retorno a Deus, inspirada no chamado de Jesus: “Convertei-vos e crede no Evangelho” (Marcos 1,15). É a metanoia grega, uma mudança radical de mente e coração, afastando-nos do pecado e aproximando-nos da santidade, ou seja, de Deus.

Biblicamente, a conversão ecoa nas Escrituras desde o Antigo Testamento, onde os profetas como Isaías exortam: “Lavai-vos, purificai-vos! Afastai da minha vista as vossas más ações!” (Is 1,16). No Novo Testamento, João Batista prepara o caminho com o batismo de conversão (Mt 3,2), e Jesus a exemplifica em Sua Paixão, convidando-nos a carregar a cruz diariamente (Lucas 9,23). Paulo, convertido no caminho de Damasco (Atos 9), nos lembra que somos “nova criatura” em Cristo (2Coríntios 5,17), enfatizando que a conversão é um dom da graça divina, não mero esforço humano.

Dogmaticamente, o Catecismo da Igreja Católica (CIC 1427-1433) define a conversão como resposta ao amor misericordioso de Deus, manifestada de forma muito especial, no sacramento da Penitência. O Concílio Vaticano II, na Constituição Dogmática Lumen Gentium (n. 8), afirma que a Igreja é “santa e sempre necessitada de purificação”, sublinhando a conversão como processo eclesial e pessoal. Na Constituição Sacrosanctum Concilium (n. 109), a Quaresma é entendida como um tempo privilegiado para essa renovação, preparando-nos para a Páscoa através do jejum, oração e esmola, como ensinado por Jesus no Sermão da Montanha (Mt 6,1-18).

Praticamente, como viver essa conversão constante?

Comece com o exame de consciência diário: reflita sobre suas ações à luz dos Mandamentos e das Bem-aventuranças. Participe da Missa dominical e da Confissão frequente, sacramentos que nutrem a alma. Durante a Quaresma, adote práticas concretas: jejue não só de comida, mas de fofocas ou egoísmo; ore mais, talvez com o Rosário ou a Via-sacra; dê esmola, ajudando os necessitados e os pobres de nossas paróquias.

Não nos esqueçamos: a conversão não termina na Páscoa. É um estilo de vida, como São Bento ensina na Regra: “Sempre recomeçar”. Em meio aos desafios da vida rural e urbana de nossas cidades, como secas ou desigualdades, convertamo-nos servindo ao próximo, inspirado no Bom Samaritano (Lucas 10,25-37).

Que esta Quaresma nos transforme! Que Maria, Mãe da Misericórdia, nos guie nesse caminho.

Fonte: Dom Antonio Carlos Rossi keller