Brasília (DF) – Em meio aos apelos da Igreja por uma renovação missionária e por pastores com cheiro de ovelha, o COMISE — Conselho Missionário de Seminaristas — tem se destacado como um verdadeiro celeiro de vocações missionárias em terras brasileiras. Com raízes profundas no desejo de formar presbíteros comprometidos com o anúncio do Evangelho além-fronteiras, o COMISE vem fortalecendo sua presença em diversas dioceses e casas de formação, tornando-se um instrumento decisivo na configuração de uma Igreja em saída, como sonha o Papa Francisco.
Um serviço que nasce do coração da missão
Fundado em 1985 no Seminário Maior Sagrado Coração de Jesus, no Piauí, o COMISE surgiu da inquietação de seminaristas e do trabalho inspirador do missionário comboniano Pe. Fábio Bertagnolli, que via a missão como parte essencial da vocação sacerdotal. A proposta era simples, mas revolucionária: envolver os seminaristas em atividades de animação missionária, conectando-os desde cedo com os desafios e a espiritualidade da missão. A semente germinou. Ao longo dos anos, o COMISE multiplicou-se em experiências e iniciativas transformadoras: vigílias pelas missões, gincanas solidárias, noites culturais, estudos semanais sobre espiritualidade missionária, celebrações do Dia da Consciência Negra e do Dia do Índio, e muito mais. A missão, assim, deixou de ser uma etapa futura para tornar-se presente, concreta e vivenciada ainda na formação inicial.
Inserção nas Pontifícias Obras Missionárias
O reconhecimento do COMISE como parte essencial do processo formativo levou à sua incorporação às Pontifícias Obras Missionárias (POM) em 2006, a convite do Pe. Sávio Corinaldesi, missionário xaveriano e então secretário nacional das POM. Essa vinculação fortaleceu ainda mais o alcance e a legitimidade do COMISE, que passou a integrar a estrutura oficial da missão da Igreja no Brasil. As POM, ligadas diretamente ao Dicastério para a Evangelização, são organismos da Santa Sé que têm por missão fomentar a consciência missionária em toda a Igreja. A participação do COMISE nesse organismo não só garante respaldo institucional, mas insere os seminaristas numa rede global de oração, formação e cooperação missionária.
A missão como eixo da formação presbiteral
Segundo documentos como Ad Gentes, Optatam Totius, a Ratio Fundamentalis e as Diretrizes da CNBB para a Formação dos Presbíteros, a missão não é um apêndice da vida eclesial, mas o seu coração pulsante. Por isso, o COMISE não é apenas uma atividade extracurricular, mas um serviço estruturado de animação missionária, com objetivos bem definidos: despertar a consciência missionária dos futuros presbíteros e religiosos, proporcionar uma formação sólida e espiritualidade comprometida, e oferecer experiências concretas de missão no Brasil e no exterior. O COMISE também promove eventos de grande relevância, como o SEMISE (Semana Missionária dos Seminaristas), o FORMISE (Formação Missionária de Seminaristas), e o COMINSE (Congresso Missionário Nacional de Seminaristas), além das experiências vocacional-missionárias nacionais. Essas atividades possibilitam aos formandos contato direto com as realidades mais desafiadoras da evangelização — especialmente nas periferias urbanas, áreas indígenas, comunidades quilombolas e regiões de fronteira.
Estrutura e expansão
Atualmente, o COMISE está presente em 143 dioceses e casas de formação no Brasil. Sua estrutura organizativa prevê a constituição de coordenações em diversos níveis — seminarial, diocesano, provincial, regional e nacional — sempre em consonância com os formadores e as diretrizes da Igreja. Cada equipe é composta por coordenador, vice, secretário, tesoureiro, assessor de comunicação e assessor eclesiástico, garantindo um funcionamento autônomo e colaborativo. Essa capilaridade permite que o COMISE esteja em sintonia com diversos organismos eclesiais, como a CNBB, OSIB, CRB, Comissões Episcopais para Ministérios Ordenados e Catequese, e com outras expressões missionárias como o COMINA, o CIMI e o Centro Cultural Missionário.
Um espaço de protagonismo e doação
O que torna o COMISE tão singular é o seu caráter de autoformação e protagonismo. Ele é um conselho de seminaristas, para seminaristas, e não uma equipe imposta de fora. Isso estimula o senso de responsabilidade, liberdade vocacional e discernimento maduro. Como serviço, o COMISE ajuda o seminarista a perceber-se missionário por natureza, chamado a doar-se com generosidade ao povo de Deus, onde quer que a Igreja o envie. Não por acaso, muitos ex-integrantes do COMISE hoje são presbíteros, religiosos e religiosas que atuam em áreas de missão no Brasil e no mundo, testemunhando o valor de uma formação integral enraizada na espiritualidade missionária.
Em sintonia com os novos tempos
O Papa Francisco tem insistido numa “Igreja em saída”, missionária por vocação. Nesse contexto, o COMISE torna-se um instrumento valioso e atual. Ele forma seminaristas “enamorados do Mestre”, capazes de ir às periferias, assumir o Evangelho com radicalidade e encarnar a compaixão de Cristo nos mais variados contextos humanos. Como bem afirma o Documento 110 da CNBB: “A missionariedade revela-se como fio condutor de todo o processo formativo”. O COMISE encarna esta visão com fidelidade e criatividade, mantendo viva a chama da missão na juventude vocacionada do Brasil.
A Diocese de Frederico Westphalen
À luz de tudo o que foi exposto, fica evidente que o COMISE tem sido um instrumento fecundo na formação missionária dos futuros presbíteros, promovendo uma Igreja cada vez mais comprometida com os apelos do Evangelho e com as urgências do tempo presente. Nesse cenário de renovação eclesial, é motivo de alegria reconhecer que a Diocese de Frederico Westphalen também se insere com entusiasmo nessa dinâmica missionária. Através do engajamento de seus seminaristas e da participação ativa no COMISE, a diocese reafirma seu compromisso com uma formação presbiteral integral, pautada na espiritualidade da missão.