Ao ser perguntado sobre o que ele achava da Inteligência Artificial, Papa Francisco disse que tinha antes medo da inteligência humana. A “Inteligência Artificial (IA) é um campo da ciência da computação que visa criar máquinas capazes de realizar tarefas que normalmente exigem inteligência humana, como aprender, raciocinar, resolver problemas e tomar decisões”. Esta frase foi gerada por Inteligência Artificial. Entramos na internet e aqui temos esta facilidade. A Inteligência artificial é um meio, uma ferramenta confeccionada e usada pela inteligência humana. É esta propriamente a que programa as máquinas para realizar operações que em certo sentido imitam a inteligência humana e trazem de modo rápido, às vezes mais barato e eficiente, um pretendido melhoramento da vida humana. Temos sido impactados de algum modo por estas programações e por estas máquinas, pela IA. Sua influência se faz sentir numa ampla gama de setores, incluídas as relações pessoais, a educação, o trabalho, a arte, a saúde, o direito, a guerra e as relaciones internacionais.
No início deste ano, a Igreja emitiu uma nota, com o título “Antiqua et Nova”, (com Antiga e Nova Sabedoria) convidando a refletir e dando orientações éticas sobre a Inteligência Artificial (IA), com antiga e nova sabedoria. A nota diz que “a Igreja promove os progressos na ciência, na tecnologia, nas artes e em toda empresa humana, vendo-os como parte da ‘colaboração do homem e da mulher com Deus no aperfeiçoamento da criação visível’. Como afirma o Eclesiástico, Deus é quem dá a ciência aos humanos, para que o glorifiquem por suas maravilhas (cf Eclo 38,6).” Isso acontece quando o ser humano usa retamente a ciência. Por isso, a nota também aponta para problemas que estas novas ciências e tecnologias trazem.
Alguns vícios podem se desenvolver neste contexto do inapropriado uso da Inteligência Artificial: a preguiça, o imediatismo, a ansiedade, a superficialidade, o individualismo, o achatamento da criatividade, uma relação meramente mecânica com o mundo, onde inclusive as pessoas se tornam objeto de manipulação, como se fossem dados ou contas. E como ficam a memória, a imaginação, o encanto com o criado? Imagine então a relação com Deus, Criador e Redentor, como um não sei quê na rede, um amontoado de dados, uma invenção das combinações das máquinas! Podem as máquinas substituir o que é específico do julgamento ou da prudência humana, tanto na área da saúde, como no judiciário? Quais os riscos para a privacidade das pessoas já que os seus dados podem ser espalhados para quem pode fazer mau uso deles, por criminosos ou para abuso de poder? O excesso de informações, falsas ou verdadeiras, não podem reforçar a ideia de que tudo é efêmero, de que nada permanece, de que não há valor nas nossas ações?
Tomando mais de perto o exemplo da educação: se antigamente os professores pensavam em proibir a calculadora, pela necessidade de todo mundo memorizar desde cedo a tabuada, mesmo que todos pudessem acessá-la no mundo do trabalho, supondo que se estudava para trabalhar, perguntemos agora aos professores e eles dirão o que significa a Inteligência Artificial no âmbito da educação. Os estudos, a elaboração de trabalhos, textos, desenhos e afins, ganharam mais e mais facilidades. Mas será que não existe uma medida prudencial na quantidade de uso destas tecnologias, principalmente no âmbito do aprendizado, quando as crianças e adolescentes ainda estão nos primeiros passos do desenvolvimento da sua própria inteligência? Se, por exemplo, é pedido para que os alunos leiam um determinado livro e o resumam, o principal objetivo não é o resumo ou o resumir. O objetivo é que eles, lendo o livro, pensem nos temas ali apresentados e formem sua inteligência. O que fazem? Acessam alguma ferramenta de IA e em poucos segundos estão com o resumo. Sim, também a IA identifica que o aluno fez isso. Os burladores dos outros e também de si mesmos estão sempre a postos para fazer alguma modificação e driblar as máquinas. Por alguns problemas que aqui se mostram, possuía mesmo razão o papa ao dizer que tinha medo da inteligência humana.