28.o Domingo Comum Ciclo A
O Banquete do Reino – Convite universal e resposta generosa

Publicado em: quarta, 07 de outubro de 2026 às 08:34h
Por: Dom Antonio Carlos Rossi Keller

28.o Domingo Comum Ciclo A

O Banquete do Reino – Convite universal e resposta generosa

 

A liturgia do 28.º Domingo do Tempo Comum – Ano A apresenta-nos a imagem poderosa do banquete como símbolo do Reino de Deus. Deus prepara uma festa de alegria, abundância e vida plena para todos os povos. O convite é gratuito e universal, mas exige uma resposta consciente e uma “veste de festa”: o coração convertido, a vida coerente e a disponibilidade para entrar na dinâmica do amor.

Na primeira leitura, o profeta Isaías anuncia um banquete no monte do Senhor: manjares suculentos, vinhos deliciosos, preparados para todos os povos. Deus destrói a morte para sempre, enxuga as lágrimas de todas as faces e elimina o opróbrio. É a visão messiânica da felicidade definitiva, onde a comunhão com o Senhor se torna a verdadeira refeição que sacia a fome humana de sentido e de paz.

O salmo responsorial (Sl 22) responde com confiança: “Habitarei para sempre na casa do Senhor”. O Senhor é pastor que nada deixa faltar. Conduz a verdes pastagens, prepara a mesa na presença dos inimigos e unge a cabeça com óleo. A bondade e a graça acompanham o fiel todos os dias. O salmo transforma o anúncio de Isaías em oração pessoal: já agora experimentamos o cuidado divino que nos prepara para o banquete eterno.

Na segunda leitura, São Paulo testemunha a liberdade de quem aceitou o convite. Sabe viver na pobreza e na abundância, na fome e na fartura. “Tudo posso n’Aquele que me conforta”. A comunidade de Filipos, generosa e solidária, é exemplo concreto de quem responde ao chamado com partilha e confiança. Deus proverá tudo o que é necessário segundo a sua riqueza em Cristo. A segunda leitura mostra que o banquete do Reino não é apenas promessa futura: já se vive na gratidão e na solidariedade.

O Evangelho de Mateus traz a parábola do rei que preparou as bodas do filho. Os primeiros convidados recusam: uns vão ao campo, outros aos negócios; alguns até agridem e matam os mensageiros. O rei então manda chamar todos os que se encontram nas encruzilhadas – bons e maus. A sala enche-se. Porém, um homem entra sem o traje de festa e é expulso. “Muitos são os chamados, mas poucos os escolhidos”.

A parábola é exigente. O convite é universal: Deus não exclui ninguém. Mas a entrada no banquete pede a “veste nupcial” – a conversão, a justiça, a caridade, a vida segundo o Evangelho. Não basta estar presente; é preciso vestir-se da graça e da coerência. A indiferença, o egoísmo ou a superficialidade tornam-nos indignos da festa.

Este domingo interroga-nos: como respondemos ao convite diário do Senhor? Aceitamos a mesa da Eucaristia com coração preparado? Vivemos a solidariedade que Paulo elogia? Ou preferimos os nossos campos e negócios, adiando o essencial?

O banquete está pronto. O Rei espera. Que a graça nos ajude a vestir a veste de festa e a entrar com alegria, tornando-nos também mensageiros que convidam outros para a mesma mesa de vida e amor.

 

Fonte: Dom Antonio Carlos Rossi Keller