26º Domingo do Tempo Comum Ciclo A
Fazer, de verdade, a vontade do Pai

Publicado em: segunda, 21 de setembro de 2026 às 14:18h
Por: Dom Antonio Carlos Rossi Keller

Fazer, de verdade, a vontade do Pai

26º Domingo do Tempo Comum Ciclo A

 

A liturgia deste domingo convida-nos a um exame sincero da nossa resposta a Deus. Não bastam palavras, intenções piedosas ou aparências de fidelidade. O que conta é a conversão concreta, a obediência que se traduz em gestos e a humildade que imita Cristo. Deus chama todos a trabalhar na sua vinha; a questão é se respondemos com coerência ou com meras declarações vazias.

Primeira Leitura (Ezequiel 18,25-28)

O povo no exílio queixa-se: “A conduta do Senhor não é correta”. O Senhor responde com clareza: a injustiça não está n’Ele, mas no coração humano que se desvia.

Quando o justo abandona a justiça e pratica o mal, morre por causa do mal que cometeu. Quando o ímpio se arrepende, abandona a maldade e pratica o direito e a justiça, conserva a vida. Deus não se prende ao passado; acolhe o pecador que se converte. A salvação não é um direito adquirido, mas o fruto de uma escolha renovada a cada dia. O Senhor é justo e misericordioso: oferece sempre a possibilidade de recomeçar.

Salmo Responsorial (Salmo 24 (25))

“Recordai, Senhor meu Deus, vossa ternura e compaixão.”

O salmista pede para ser ensinado nos caminhos de Deus, guiado na verdade e perdoado dos pecados da juventude. O Senhor é bondade e retidão: reconduz os pecadores, orienta os humildes e ensina o seu caminho aos pobres. É o grito de quem reconhece a própria fragilidade e confia na misericórdia que nunca falha.

Segunda Leitura (Filipenses 2,1-11)

São Paulo exorta a comunidade a viver a unidade no amor, na humildade e no serviço mútuo. O modelo é Cristo:

Existindo em condição divina, não se apegou a essa igualdade, mas esvaziou-se a si mesmo, assumindo a condição de servo, tornando-se semelhante aos homens. Humilhou-se, fazendo-se obediente até à morte — e morte de cruz. Por isso Deus o exaltou e lhe deu o Nome que está acima de todo nome.

O hino cristológico resume o caminho do discípulo: descer para servir, esvaziar-se de si para se encher de Deus, obedecer até ao fim. Só assim se constrói a comunhão verdadeira.

Evangelho (Mateus 21,28-32)

Jesus dirige-se aos chefes religiosos com a parábola dos dois filhos.

O pai pede a ambos que vão trabalhar na vinha. O primeiro responde “Não quero”, mas depois se arrepende e vai. O segundo diz “Sim, senhor”, mas não vai. Qual dos dois fez a vontade do pai? O primeiro.

Jesus aplica a parábola com dureza: “Os cobradores de impostos e as prostitutas vos precedem no Reino de Deus”. João Batista veio no caminho da justiça e eles não creram; os pecadores, sim. Mesmo vendo a conversão dos outros, os “justos” não se arrependeram.

A mensagem é clara: não são as palavras que salvam, mas a mudança de vida. O “sim” formal sem coerência é estéril. O “não” inicial seguido de conversão verdadeira abre a porta do Reino. Deus prefere o coração que se corrige ao orgulho que se considera já justo.

Para a nossa vida

Esta liturgia nos questiona de frente:

  • Dizemos “sim” a Deus na missa, nas orações e nos discursos, mas depois não vamos trabalhar na vinha (família, justiça social, perdão, serviço aos pobres)?
  • Acolhemos a possibilidade de recomeçar, como o filho que se arrependeu e como o ímpio de Ezequiel?
  • Imitamos a humildade de Cristo ou vivemos de competição e vanglória?

O Senhor continua a chamar: “Filho, vai trabalhar hoje na vinha”. A resposta que vale não é a que sai da boca, mas a que se traduz em obras. Que este domingo nos encontre dispostos a converter o “não” em “sim” concreto e a transformar o “sim” vazio em fidelidade generosa.

Assim, caminharemos no mesmo sentimento de Cristo Jesus, para a glória de Deus Pai.

 

Fonte: Dom Antonio Carlos Rossi Keller