21.º Domingo do Tempo Comum Ciclo Ano A “E vós, quem dizeis que Eu sou?”

Publicado em: segunda, 17 de agosto de 2026 às 14:35h
Por: Dom Antonio Carlos Rossi Keller

21.º Domingo do Tempo Comum Ciclo Ano A

“E vós, quem dizeis que Eu sou?”
 

Neste 21.º Domingo do Tempo Comum, a liturgia coloca-nos diante de uma das perguntas mais decisivas da vida cristã: “E vós, quem dizeis que Eu sou?”. O Evangelho de Mateus (16,13-20) leva-nos até Cesareia de Filipe, região pagã, longe dos centros religiosos de Israel. Ali, Jesus interroga os discípulos sobre a opinião das multidões a respeito d’Ele. As respostas são respeitosas, mas insuficientes: João Batista, Elias, Jeremias ou um dos profetas. São aproximações, mas não alcançam o mistério.

Então Jesus formula a pergunta pessoal: “E vós, quem dizeis que Eu sou?”. Simão Pedro responde com uma confissão de fé que não vem da carne nem do sangue, mas de uma revelação do Pai, como lhe diz Jesus: “Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo”. Nesta resposta, Pedro reconhece em Jesus não apenas um enviado, mas o próprio Filho de Deus, o Cristo esperado.

A resposta de Jesus é solene e fundadora. Declara Pedro “bem-aventurado” e confere-lhe uma missão única: “Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do Inferno não prevalecerão contra ela. Dar-te-ei as chaves do Reino dos Céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos Céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos Céus”.

A primeira leitura, tirada de Isaías (22,19-23), prepara-nos para compreender este gesto de autoridade de Jesus. O Senhor Deus destitui o administrador infiel Chebna e coloca sobre os ombros de Eliacim a chave da casa de David. Quem possui a chave tem autoridade para abrir e fechar, para governar com justiça e paternidade. Eliacim prefigura, de modo imperfeito, a missão confiada a Pedro. Em Jesus, as chaves do Reino são entregues não a um funcionário de palácio, mas ao apóstolo que confessa a fé verdadeira. A autoridade de Pedro e dos seus sucessores não é domínio, mas serviço; não é poder absoluto, mas ministério de unidade e fidelidade à verdade revelada.

A segunda leitura (Romanos 11,33-36) convida-nos a contemplar a profundidade da sabedoria e do conhecimento de Deus. Os Seus juízos são insondáveis e os Seus caminhos incompreensíveis. A Igreja, edificada sobre a rocha da fé de Pedro, é fruto deste desígnio misterioso e misericordioso. Não é uma construção humana, mas obra de Deus, sustentada pela promessa de Cristo de que as forças do mal nunca a destruirão.

Hoje, a mesma pergunta ressoa em cada coração: “E vós, quem dizeis que Eu sou?”. Não basta repetir fórmulas aprendidas. É preciso uma adesão pessoal, renovada, que se traduz em vida. Confessar que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus vivo, implica segui-Lo, confiar n’Ele, deixar que a Sua Palavra transforme as nossas decisões, os nossos relacionamentos e as nossas prioridades.

Esta confissão também nos liga à Igreja. Não há fé autêntica em Jesus Cristo sem comunhão com a comunidade que Ele edificou sobre Pedro. A Igreja que é santa, mas que na sua visibilidade, com as suas limitações humanas (nós somos a Igreja hoje...), continua a ser o lugar onde Cristo continua a falar, a perdoar e a conduzir o Seu povo. As chaves entregues a Pedro são sinal de que a misericórdia e a verdade de Deus permanecem acessíveis no meio de nós.

Que a nossa resposta, como a de Pedro, seja clara e generosa. Que cada um de nós possa dizer, com convicção renovada: “Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo”. E que, ancorados nesta fé, caminhemos unidos na Igreja, seguros de que as portas do Inferno não prevalecerão, porque o Senhor permanece fiel à Sua promessa.

Assim seja.

 

Fonte: Dom Antonio Carlos Rossi Keller