Na Eucaristia, encontramos o Tesouro por excelência: Cristo vivo, que nos configura à Sua imagem.
Sabedoria, Reino e Confiança em Deus
Reflexão Litúrgica para o 17 Domingo Comum A

Publicado em: terça, 21 de julho de 2026 às 09:23h
Por: Dom Antonio Carlos Rossi Keller

17º Domingo do Tempo Comum Ciclo A

Sabedoria, Reino e Confiança em Deus


 

No 17º Domingo do Tempo Comum do Ano Litúrgico A, a Igreja apresenta-nos uma liturgia rica em ensinamentos sobre a busca do essencial: a sabedoria divina, o valor inestimável do Reino dos Céus e a certeza de que Deus age em favor dos que O amam. As leituras convidam-nos a uma conversão profunda, a priorizar o tesouro eterno sobre as realidades passageiras.

A primeira leitura (1Rs 3,5.7-12) narra o sonho de Salomão. Deus oferece-lhe o que desejar, e o jovem rei pede “um coração que escute”, sabedoria para discernir o bem do mal e governar o povo. Não pede riquezas, longevidade ou vitória sobre inimigos. Deus aprova essa escolha e lhe concede uma sabedoria incomparável. Esta passagem ilustra que a verdadeira sabedoria é dom de Deus, fruto da humildade e do desejo de servir. São Josemaría Escrivá, grande mestre da vida interior, recorda-nos constantemente que a sabedoria cristã nasce da união com Deus na oração e na liturgia: “A tua oração deve ser litúrgica. —Oxalá te acostumes a recitar os salmos e as orações do missal, em vez de orações privadas ou particulares” (Caminho, n. 86). A liturgia é escola de sabedoria, onde aprendemos a escutar o Senhor.

O Salmo Responsorial (Sl 119) reforça este tema: “Quanto amo a tua lei, Senhor! Ela é o meu tesouro mais precioso, mais que ouro e prata”. O salmista exalta a Palavra de Deus como luz e alegria. Na Missa, o salmo ecoa na nossa vida, convidando-nos a amar os mandamentos e a encontrar neles a verdadeira liberdade.

A segunda leitura (Rm 8,28-30) traz consolação profunda: “Sabemos que tudo contribui para o bem daqueles que amam a Deus”. São Paulo descreve o plano divino: predestinados, chamados, justificados e glorificados para serem “conformes à imagem do Seu Filho”. Esta certeza fundamenta a esperança cristã. O cristão, filho de Deus, vê na Providência o amor do Pai que tudo orienta para o bem, mesmo nas dificuldades. A filiação divina é o eixo da vida espiritual, que nos permite transformar o quotidiano em caminho de santidade.

O Evangelho (Mt 13,44-52) culmina com as parábolas do tesouro escondido, da pérola preciosa e da rede. O Reino dos Céus vale mais que tudo: quem o descobre vende tudo com alegria para o adquirir. A rede simboliza o julgamento final, onde se separam o bom e o mau. Jesus conclui: o escriba que se torna discípulo do Reino tira do seu tesouro coisas novas e velhas. São Josemaría comenta estas imagens com paixão: “Quem compreende o reino que Cristo propõe, percebe que vale a pena arriscar tudo para consegui-lo: é a pérola que o mercador adquire à custa de vender tudo o que possui, é o tesouro achado no campo”. O Reino presente no meio de nós, é para ser vivido no trabalho e na vida ordinária.

A liturgia deste domingo não é mera recordação: é convite à ação. Como Salomão, peçamos sabedoria; como o salmista, amemos a Palavra; como Paulo, confiemos na Providência; como o comerciante da parábola, vendamos o supérfluo para ganhar o essencial. São Josemaría insistia que a Santa Missa é “centro e raiz” da vida cristã: “Luta por conseguir que o Santo Sacrifício do Altar seja o centro e a raiz da tua vida interior, de modo que toda a jornada se converta num ato de culto — prolongação da Missa que ouviste e preparação para a seguinte”. Na Eucaristia, encontramos o Tesouro por excelência: Cristo vivo, que nos configura à Sua imagem.

Neste domingo, a Igreja recorda-nos que a verdadeira riqueza não está nas posses, mas na união com Deus. A sabedoria divina orienta-nos a discernir o que realmente importa. Que a liturgia nos impulsione a viver com alma de Eucaristia, fazendo da vida inteira uma missa prolongada, cheia de amor a Deus e aos irmãos. “Sê alma de Eucaristia! Se o centro dos teus pensamentos e esperanças estiver no Sacrário, filho, que abundantes os frutos de santidade e de apostolado!” (São Josemaría Escrivá).

Que esta celebração nos renove no desejo de buscar primeiro o Reino e a sua justiça, confiantes de que o resto nos será dado por acréscimo (cf. Mt 6,33). Amém.

 

Fonte: Diocese de Frederico Westphalen