Dia Mundial das Comunicações Sociais  “Preservar vozes e rostos humanos”

Publicado em: segunda, 11 de maio de 2026 às 13:40h
Por: Dom Antonio Carlos Rossi Keller

Domingo da Ascensão do Senhor

Dia Mundial das Comunicações Sociais

 “Preservar vozes e rostos humanos”

 

A Solenidade da Ascensão do Senhor encerra o ciclo das aparições pascais de Cristo e abre, ao mesmo tempo, o tempo da missão da Igreja. Jesus sobe ao Céu, mas não abandona os seus discípulos. Pelo contrário, sua Ascensão inaugura uma nova forma de presença: Ele permanece vivo e atuante na Igreja, por meio do Espírito Santo, conduzindo a história humana para a plenitude do Reino.

Neste contexto, a celebração do Dia Mundial das Comunicações Sociais encontra uma profunda sintonia com a liturgia da Ascensão. Antes de subir ao Céu, Jesus confia aos discípulos uma missão universal: anunciar o Evangelho a toda criatura. A Igreja nasce missionária e comunicadora. Evangelizar é comunicar a verdade, a esperança e o amor de Deus ao mundo.

O tema escolhido pelo Papa Papa Leão XIV para o Dia Mundial das Comunicações Sociais de 2026 — “Preservar vozes e rostos humanos” — ilumina de modo especial esta missão da Igreja em nosso tempo. Vivemos numa época marcada pela expansão das tecnologias digitais e pela inteligência artificial. Essas ferramentas oferecem rapidez, eficiência e alcance global. Contudo, o Papa recorda que nenhuma tecnologia pode substituir o coração humano, a consciência moral, a empatia e a responsabilidade ética. A comunicação verdadeira não é apenas transmissão de dados; ela é encontro entre pessoas.

A Ascensão do Senhor recorda justamente isso: Cristo não envia os discípulos como simples transmissores de informações religiosas, mas como testemunhas vivas do Evangelho. O cristianismo se espalhou pelo mundo não por mecanismos automáticos, mas pela força do testemunho humano: homens e mulheres que falaram, sofreram, amaram e entregaram a própria vida por Cristo.

Na primeira leitura, retirada dos Atos dos Apóstolos, vemos Jesus prometendo o Espírito Santo aos discípulos e enviando-os em missão até os confins da terra. A Ascensão não significa ausência, mas envio. Os discípulos deixam de permanecer olhando para o céu e passam a assumir a tarefa concreta da evangelização. A Igreja não pode ficar parada, presa à nostalgia ou ao medo; ela deve caminhar ao encontro do mundo.

Essa passagem possui grande atualidade para o universo da comunicação. Também hoje existe o risco de uma comunicação desumanizada, marcada pela superficialidade, pela agressividade e pela manipulação. O Papa Leão XIV alerta para o perigo de uma comunicação dominada apenas por algoritmos e interesses econômicos, sem compromisso com a verdade e com a dignidade da pessoa humana. O discípulo de Cristo é chamado a promover uma comunicação que preserve o rosto humano, que saiba escutar, acolher e construir comunhão.

A segunda leitura, da Carta aos Efésios, apresenta Cristo glorificado à direita do Pai, acima de todo poder e autoridade. São Paulo destaca que Cristo é a cabeça da Igreja, seu corpo vivo. Isso significa que toda missão evangelizadora deve permanecer unida ao Senhor. A comunicação cristã não nasce do desejo de autopromoção, mas da comunhão com Cristo. Quando a Igreja comunica o Evangelho com humildade e verdade, ela se torna sinal de esperança para o mundo.

O Evangelho da Ascensão mostra Jesus enviando os discípulos para proclamar a Boa Nova a toda criatura. Antes de subir ao Céu, Ele os abençoa. A missão nasce da bênção do Senhor e da confiança em sua presença permanente. Cristo continua agindo através de seus discípulos.

Hoje, os meios de comunicação oferecem possibilidades imensas para o anúncio do Evangelho. Redes sociais, plataformas digitais e recursos de inteligência artificial podem servir à evangelização e ao bem comum. Contudo, o Papa recorda que as máquinas devem permanecer instrumentos a serviço da vida humana, e nunca substituir a responsabilidade moral das pessoas. Uma comunicação verdadeiramente cristã precisa conservar a capacidade de compaixão, discernimento e proximidade humana.

Por isso, a Solenidade da Ascensão nos convida a renovar nossa consciência missionária. Somos enviados ao mundo para comunicar Cristo com palavras, atitudes e testemunho de vida. Mais do que produzir conteúdos, o cristão é chamado a transmitir esperança. Mais do que ocupar espaços digitais, deve criar pontes de encontro e fraternidade.

Celebrar a Ascensão do Senhor é recordar que Cristo continua presente e atuante na história. Ele nos envia para comunicar a Boa Nova não como máquinas repetidoras de mensagens, mas como discípulos missionários, capazes de amar, escutar e servir. Esta é a verdadeira comunicação cristã: aquela que faz transparecer, através das palavras e dos gestos, o próprio rosto misericordioso de Cristo.

 

Fonte: Dom Antonio Carlos Rossi Keller