Após cada Confissão, saímos transfigurados pela Graça do Perdão e da Reconciliação.
“Este é o meu Filho amado… escutai-O” (Mt 17,5)

Publicado em: terça, 24 de fevereiro de 2026 às 10:43h
Atualizado em: terça, 24 de fevereiro de 2026 às 10:51h
Por: Dom Antonio Carlos Rossi Keller

2º Domingo da Quaresma – Ciclo A

“Este é o meu Filho amado… escutai-O” (Mt 17,5)

1. Introdução – O tema central do Domingo

No 2º Domingo da Quaresma, a Igreja nos conduz ao mistério da Transfiguração do Senhor. Depois do apelo inicial à conversão, a liturgia nos oferece uma experiência de luz: Jesus manifesta sua glória diante dos discípulos para fortalecê-los no caminho que passa pela cruz. A Quaresma, assim, não é apenas um tempo de penitência, mas de educação do olhar da fé, para aprender a enxergar a realidade — pessoal e social — à luz do projeto de Deus.

2. Brevíssimo comentário das Leituras

  • 1ª Leitura – Gênesis 12,1-4.a

O chamado de Abraão revela uma fé que se traduz em saída: deixar a terra, as seguranças e os próprios cálculos, confiando unicamente na promessa de Deus.

  • Salmo Responsorial – Salmos 32(33)

O salmo proclama que a esperança do justo está no Senhor, cuja fidelidade sustenta o povo em meio às incertezas da história.

  • 2ª Leitura – Romanos 8,31b-34

São Paulo afirma que o amor de Deus, manifestado na entrega do Filho, é mais forte que qualquer acusação ou sofrimento.

  • Evangelho – Evangelho segundo Mateus 17,1-9

Na Transfiguração, Jesus revela sua identidade divina e recebe do Pai a confirmação solene: Ele é o Filho amado, aquele que deve ser escutado. A glória antecipada prepara os discípulos para o escândalo da cruz.

3. Aplicação prática e a Campanha da Fraternidade

A Transfiguração ensina que a fé cristã não nos afasta da realidade concreta, mas nos dá luz para transformá-la. O discípulo que sobe ao monte com Cristo é enviado a descer, levando esperança, compromisso e responsabilidade para o mundo.

Nesse sentido, a Campanha da Fraternidade 2026, com seu chamado à reflexão e à ação concreta em favor da moradia digna, encontra profunda sintonia com a mensagem deste Domingo. Escutar o Filho amado implica assumir seu olhar compassivo sobre as condições de vida dos filhos de Deus, especialmente dos mais pobres, que sofrem com a falta de casa, de segurança e de dignidade.

Aplicar a mensagem deste Domingo no dia a dia significa:

  • Escutar Cristo não apenas na oração, mas também no clamor dos irmãos que vivem em situação de precariedade.
  • Deixar-se transfigurar interiormente, superando a indiferença e o comodismo diante das injustiças sociais.
  • Assumir gestos concretos de fraternidade, apoiando iniciativas que promovam justiça social, políticas públicas responsáveis e o cuidado com a vida humana em todas as suas dimensões.

A experiência do monte não nos aliena do mundo; ao contrário, nos devolve a ele com um coração novo. Quem contempla Cristo transfigurado aprende a reconhecer, mesmo nos rostos marcados pelo sofrimento, a dignidade de filhos e filhas de Deus e a trabalhar para que essa dignidade seja respeitada e promovida.

Além disso, o tempo do deserto quaresmal deve nos levar a compreender a desfiguração que o pecado produz em nós. Neste sentido, é o tempo de buscar o perdão de Deus e a reconciliação com os irmãos, através do sacramento da Confissão. Após cada Confissão, saímos transfigurados pela Graça do Perdão e da Reconciliação.

 

Fonte: Dom Antonio Carlos Rossi Keller