A Igreja ainda se importa com a juventude? A pergunta pode parecer provocativa, especialmente em uma época em que tantos jovens se afastam das instituições, questionam antigas referências e procuram novos caminhos para construir suas vidas. Mas, diante dessa pergunta, a Diocese de Frederico Westphalen apresenta uma resposta concreta: sim, a Igreja se importa com os jovens, preocupa-se com eles e deseja caminhar ao seu lado.
Essa preocupação ganhou recentemente duas expressões muito concretas na Diocese. De um lado, a publicação de uma Nota Pastoral de Dom Antonio Carlos aos jovens da Diocese. De outro, o lançamento do livro Ser Jovem Hoje! Um projeto de vida cristã para a juventude católica, escrito pelo próprio bispo diocesano.
Não se trata apenas de duas publicações. São iniciativas que revelam uma Igreja que procura olhar para a realidade dos jovens, compreender seus desafios e, sobretudo, apresentar-lhes novamente a pessoa de Jesus Cristo e a proposta de uma vida vivida segundo o Evangelho.
A Nota Pastoral de Dom Antonio Carlos nasce de uma preocupação concreta com a juventude. Ao dirigir sua palavra especialmente aos jovens da Diocese, o bispo manifesta o desejo de estabelecer um diálogo e recordar que eles têm um lugar importante na vida da Igreja. A iniciativa chama atenção justamente porque parte de uma convicção fundamental: o jovem não é apenas o futuro da Igreja. É Igreja hoje.
Os jovens já fazem parte das comunidades, das pastorais, dos movimentos, dos grupos de oração, das celebrações, dos serviços litúrgicos e de tantas outras iniciativas. São protagonistas de muitas ações evangelizadoras e possuem dons, capacidades e uma disposição própria para levar o Evangelho aos ambientes em que vivem. Por isso, preocupar-se com a juventude significa também acreditar nela.
A Nota Pastoral pode ser compreendida nesse horizonte: uma palavra de proximidade, de orientação e de incentivo para que os jovens não tenham medo de assumir sua fé e de descobrir o lugar que Deus lhes confia na Igreja e no mundo.
A segunda iniciativa vem pelas páginas de um livro. Em Ser Jovem Hoje! Um projeto de vida cristã para a juventude católica, Dom Antonio Carlos procura conversar com os jovens sobre questões que fazem parte da vida cotidiana. O livro aborda temas relacionados à fé, à oração, aos sacramentos, às virtudes, à família, aos estudos, às amizades, à afetividade, às redes sociais, ao sofrimento, ao discernimento vocacional e ao serviço.
É justamente aí que está uma das características importantes da obra: falar de fé significa também falar da vida concreta. O jovem que procura descobrir sua vocação é o mesmo que precisa tomar decisões sobre seus estudos. É o mesmo que enfrenta dúvidas, estabelece amizades, constrói relacionamentos, utiliza as redes sociais, experimenta alegrias e frustrações e se pergunta sobre seu futuro.
A proposta cristã não pretende ignorar nenhuma dessas dimensões. Pelo contrário, deseja iluminá-las a partir do Evangelho. No centro desse caminho está Jesus Cristo. O projeto de vida cristã apresentado pelo bispo parte da certeza de que a fé não é apenas um conjunto de regras ou de tradições, mas um encontro com uma Pessoa que transforma a existência.
Mas é importante lembrar: a preocupação da Igreja com a juventude não começou com uma Nota Pastoral ou com um livro publicado em nossos dias. Ao longo de sua história, a Igreja sempre procurou acompanhar as novas gerações e anunciar-lhes o Evangelho. Em diferentes épocas, diante de diferentes desafios culturais e sociais, a missão permanece a mesma: levar Cristo ao coração das pessoas e ajudá-las a descobrir sua vocação.
O próprio Concílio Vaticano II, realizado entre 1962 e 1965, dedicou atenção especial aos jovens. O decreto Apostolicam actuositatem reconheceu a importância da juventude na sociedade e na missão da Igreja, destacando também a capacidade dos próprios jovens de exercerem o apostolado entre seus contemporâneos.
A Igreja compreende, portanto, que os jovens não devem ser vistos apenas como pessoas que precisam receber a evangelização. Eles também são chamados a ser evangelizadores. O Papa São João Paulo II dedicou grande atenção à juventude e promoveu as Jornadas Mundiais da Juventude, criando espaços para que milhões de jovens pudessem se encontrar, celebrar a fé e professar publicamente sua adesão a Cristo.
Mais recentemente, o Papa Francisco convocou o Sínodo dos Bispos sobre “Os jovens, a fé e o discernimento vocacional”. O resultado desse caminho foi a Exortação Apostólica Christus vivit, publicada em 2019. Nela, o Papa recorda que a Igreja deve acompanhar os jovens, ouvi-los, confiar neles e ajudá-los a discernir sua vocação.
Assim, a iniciativa da Diocese de Frederico Westphalen está inserida em uma história muito maior. É uma continuidade de uma Igreja que, em cada época, procura encontrar os jovens onde eles estão para anunciar a eles a mesma Boa-Nova.
Talvez uma das palavras mais importantes para compreender a pastoral juvenil seja acompanhamento. O jovem precisa ser escutado. Precisa ter espaço para apresentar suas perguntas, suas inquietações, seus sonhos e também suas dificuldades. Precisa encontrar na comunidade cristã pessoas dispostas a caminhar com ele.
Evangelizar não significa simplesmente falar aos jovens. Significa também estar com eles. É por isso que a pastoral juvenil não pode se limitar a organizar eventos. Ela precisa criar vínculos, formar comunidades, proporcionar experiências de fé e ajudar cada jovem a perceber que sua vida possui uma vocação e uma missão. A Igreja quer estar presente nas alegrias e nas dificuldades da juventude. Quer ajudá-la a discernir suas escolhas, fortalecer sua fé e descobrir que o Evangelho não é algo distante da realidade, mas uma proposta capaz de transformar a própria vida.
Existe ainda outro aspecto importante: a Igreja não deseja uma juventude simplesmente espectadora. O jovem possui uma contribuição própria a oferecer. Sua criatividade, sua energia, sua capacidade de comunicação, suas perguntas e sua maneira de enxergar o mundo podem enriquecer a própria comunidade cristã. Por isso, caminhar com a juventude significa também abrir espaços para que ela participe, assuma responsabilidades e coloque seus dons a serviço dos outros.
Uma Igreja que acredita nos jovens é uma Igreja que lhes confia uma missão. E essa missão não se limita aos espaços internos da comunidade. O jovem cristão é chamado a levar o Evangelho para sua família, seus estudos, seu trabalho, suas amizades, suas redes sociais e todos os ambientes onde sua vida acontece.
Diante de tudo isso, a pergunta inicial pode receber uma resposta. A Igreja ainda se importa com a juventude? A resposta está nas ações concretas. Está em uma Diocese que procura falar aos jovens. Está em um bispo que lhes dirige uma Nota Pastoral. Está em um livro escrito para ajudá-los a construir um projeto de vida cristã. Está nas comunidades que abrem espaço para a juventude. Está nos padres, religiosos, catequistas, lideranças e tantos leigos que dedicam tempo e energia para acompanhar as novas gerações. E está, sobretudo, no desejo de continuar anunciando Jesus Cristo.
A Igreja não pretende oferecer aos jovens apenas respostas prontas para todas as perguntas. Ela deseja caminhar com eles na descoberta daquilo que Deus sonha para cada um. Quer ajudá-los a discernir sua vocação, amadurecer sua fé, servir aos irmãos e encontrar em Cristo um sentido para a própria existência. Porque a juventude passa, as culturas mudam, as tecnologias se transformam e os desafios de cada geração são diferentes. Mas a missão permanece: anunciar o Evangelho; caminhar com cada pessoa; apresentar Jesus Cristo; convidar todos a trilhar um caminho de santidade e salvação.
Talvez, então, a pergunta mais importante não seja somente se a Igreja ainda se importa com a juventude. Talvez seja também: os jovens conseguem reconhecer que a Igreja deseja caminhar com eles? Na Diocese de Frederico Westphalen, a resposta está sendo construída no presente. E ela passa por uma certeza: a juventude tem lugar na Igreja, tem uma missão na Igreja e é chamada, hoje, a caminhar com Cristo e a anunciar o Evangelho.