Neste mês a Igreja comemora a festa de São Tomé, Apóstolo e mártir. O discípulo que, diante do anúncio da Ressurreição, declarou: "Se eu não vir em suas mãos o sinal dos cravos e não puser o meu dedo no lugar dos cravos e a minha mão no seu lado, não acreditarei" (Jo 20,25).
Tomé duvidou. Quis ver, tocar, ter certeza. Mas, quando esteve diante do Cristo ressuscitado, sua incredulidade transformou-se na mais bela profissão de fé do Evangelho: "Meu Senhor e meu Deus!" (Jo 20,28). Aquele que um dia exigiu provas tornou-se testemunha da Verdade até o derramamento do próprio sangue. Levou o Evangelho até terras distantes e, segundo a tradição da Igreja, morreu mártir na Índia, atravessado por lanças, porque se recusou a negar Aquele que antes havia duvidado.
Até onde você é capaz de ir pelo que acredita? Você de fato está convicto de que aquilo em que crê é verdade? E, se está convicto, por que tantas vezes o nega? Se temos verdadeiramente fé na eternidade, por que tantas vezes nos vendemos às propostas e tentações mundanas?
A Igreja Católica nasceu do sangue derramado na cruz por um Homem que estava convicto daquilo que anunciava. A mesma Igreja fortaleceu-se pelo sangue dos Apóstolos e de tantos homens e mulheres que preferiram morrer a negar sua fé. São Tomé é a prova de que Deus pode transformar a dúvida em coragem, a fraqueza em fortaleza e o medo em testemunho. Aquele que um dia hesitou foi o mesmo que, mais tarde, entregou a própria vida por Cristo.
Por que negamos nossa fé por tão pouco? O que sobrou nos cristãos dessa fé apostólica? Quantas vezes nos rendemos às ideologias e mentalidades mundanas? Quantas vezes nos comportamos como pagãos? Realmente temos sido fiéis a Cristo? Realmente O temos amado? Ou vivemos de uma fé de fachada usada para esconder nossas misérias? "O Reino dos Céus é arrebatado à força, e são os violentos que o conquistam" (Mt 11,12). Estamos dispostos a lutar por Cristo? Por que O trocamos por tão pouco? Realmente ainda há fé entre nós?
Sócrates dizia que o homem que conhece o bem é incapaz de praticar o mal. Ora, se os cristãos conhecem o Bem, que é Deus, por que O trocam tantas vezes por aquilo que é mau? São Tomé conheceu a dúvida, mas não permaneceu nela; encontrou a Verdade viva e jamais voltou atrás. Até onde você é capaz de ir pelo bem em que acredita? Ainda há aqueles que estão dispostos a morrer pelo que creem? Ainda de fato acreditamos no que dizemos acreditar? Ou nossa fé tornou-se apenas um discurso confortável para tranquilizar a consciência?