Ouviu-se conversa que em algumas paróquias não funcionam os Movimentos Religiosos. Ninguém gosta de comparações. Mas é do conhecimento público o destaque da Paróquia da Catedral na sua atuação apostólica. Óbvio que isto tem sua raiz numa tradição Batistellica. E dando marcha à ré, algumas décadas atrás, vemos que o Mons. Vitor Batistella dedicava primordial atenção ao trabalho dos Leigos. Lembro que ele tinha um olhar profundo para estas instituições. Andavam a pleno vapor a CRUZADA EUCARÍSTICA para as crianças, as FILHAS DE MARIA para as moças, a AÇÃO CATÓLICA para os jovens, o APSTOLADO DA ORAÇÃO, (com suas fitas coloradas) para os casais e a PIA OBRA DAS VOCAÇÕES para angariar seminaristas. Isto sem contar as Diretorias das Igrejas, encarregadas principalmente do setor financeiro e na organização das festas do Padroeiro. Apenas para recordar, este extraordinário Sacerdote ergueu o Colégio das Freiras, o Hospital Divina Providência, o Pré-Seminário, a UNAC, a Radio Luz e Alegria e a portentosa Catedral.
Claro que os tempos são outros e se ele fosse HOJE nomeado Pároco do Barril, talvez não conseguisse realizar 10% das suas obras. Onde quero chegar? Não é meu intento analisar ou questionar a atividade paroquial dos padres da Diocese. O que pretendo realçar, data vênia, é a exigência que ele impunha sobre os Leigos. Quando São Paulo escreveu “ai de mim se eu não evangelizar” não estava se referindo unicamente aos padres e freiras, mas a todos os cristãos. “A messe é grande” – logo EU sou convocado a botar a mão no arado. Vicejam aqui o Cursilho, o Apostolado, a Legião de Maria, o Schoenstatt, o Serra, os Caristmáticos, os Vicentinos e outros que me esqueci.
Acontece que os Leigos, no geral, ficam apenas na torcida, usando uma imagem futebolística. No máximo, sentados no banco. E só entrarão em campo, se o Técnico, que é o Pároco, os escalar. E aqui entra a responsabilidade do Padre, que é o Pastor, de cutucar as ovelhas para que tomem contato com as “campinas verdejantes e águas cristalinas”. Às vezes até por timidez, o Leigo se amoita. Cabe então ao Pároco empunhar o aguilhão e fazer o paroquiano corcovear. Do contrário, pode-se perder a partida, e o leigo não evangelizou, como repreendia São Paulo.
Nos Movimentos Religiosos, sempre sob a batuta do Pároco, os Leigos começam a rezar, a estudar Religião e a pregar o Cristianismo. Lógico que estas atividades surjam imperfeitas. Mas Deus exige que a gente entre em campo; o resultado do jogo ELE é que determina. Em hipótese alguma, estou endereçando críticas aos nossos Párocos, que são exemplos para a maioria das Dioceses gaúchas. Apenas, humildemente rogo, que não deixem de dar oportunidade aos seus paroquianos de EVANGELIZAR. Dom Bruno dizia “que os Leigos gostam de ser desafiados”.
Não podemos deixar o pobre do Vigário se esbagaçar solitário. Finalizando como o saudoso Batislella, que levava a PIA OBRA de rédea curta, pergunto atualmente, quando o Pároco morrer: foi providenciado substituto? Está ele no Seminário, engraxando as chuteiras para entrar em campo? Do contrário, não dá para chorar se as ovelhas ficam ao sabor dos lobos... O brabo é se ELE nos cobrará na Eternidade!!!