08 DE JULHO DE 1910: A ORDENAÇÃO SACERDOTAL DO PADRE JOSÉ KENTENICH

01/07/2026 às 10:09h

No dia 08 de julho de 1910, José Kentenich foi ordenado sacerdote na Sociedade do Apostolado Católico (Palotinos). Aquele dia coroava um caminho marcado pela Providência Divina, que transformou limites humanos em fecundidade apostólica e fez nascer um dos grandes fundadores da Igreja no século XX.

Nascido em 16 de novembro de 1885, em Gymnich, na Alemanha, José era filho de Catarina Kentenich e Mathias Kentenich. Seu pai não assumiu a paternidade, e ele cresceu na condição de filho de mãe solteira, realidade que, naquele tempo, representava um grande obstáculo para ingressar em muitas comunidades religiosas e seminários. Entretanto, os caminhos da Providência abriram-lhe as portas da Sociedade dos Palotinos, que acolheu sua vocação. Ainda menino, antes de ingressar no Orfanato São Vicente, sua mãe realizou um gesto que marcaria toda a sua vida: diante da imagem de Nossa Senhora, entregou-lhe o filho, confiando-o inteiramente aos cuidados da Mãe de Deus. Aquela consagração tornou-se a raiz de um sacerdócio profundamente mariano.

A experiência da ausência do pai não gerou amargura, mas foi transformada pela graça. Deus fez daquela carência uma fonte de fecundidade espiritual. O menino que não experimentou plenamente a presença paterna tornou-se, mais tarde, um dos maiores pais espirituais do nosso tempo. Para sua ordenação sacerdotal escolheu a oração: "Concede, ó meu Deus, que todos os espíritos se unam na verdade e todos os corações no amor." Nela já estavam presentes os grandes ideais que orientariam sua missão sacerdotal.

Nos primeiros anos de ministério, exerceu a função de professor de latim no seminário menor dos Palotinos. Pouco depois, foi nomeado diretor espiritual dos jovens seminaristas. Foi nesse contato diário com os jovens que amadureceu aquilo que se tornaria uma das marcas do seu sacerdócio: a paternidade sacerdotal. Mais do que ensinar disciplinas ou impor normas, educava pela confiança, pela liberdade responsável e pelo amor. Sabia escutar, formar consciências e despertar em cada jovem a certeza de que era amado por Deus e chamado a uma missão.

Dessa experiência nasceu também sua dimensão profética. Atento aos sinais dos tempos e às necessidades da Igreja, conduziu aqueles jovens à Aliança de Amor com Maria, celebrada em 18 de outubro de 1914. Assim nasceu o Movimento Apostólico de Schoenstatt. Seu sacerdócio tornou-se, ao mesmo tempo, profundamente paterno e autenticamente profético: um pai que gerava vidas para Deus e um fundador que oferecia à Igreja um novo caminho de renovação espiritual e pedagógica.

Como Cristo, seu sacerdócio foi confirmado pela cruz. Sobreviveu ao campo de concentração de Dachau e, anos mais tarde, acolheu com obediência os catorze anos de exílio determinados pela própria Igreja. Nunca deixou de amar a Esposa de Cristo. Sua fidelidade foi selada pela inscrição que hoje repousa sobre seu túmulo: Dilexit EcclesiamAmou a Igreja.

Recordar sua ordenação sacerdotal é reconhecer como Deus conduz a história. Da fragilidade de um menino entregue por sua mãe à proteção de Maria nasceu um sacerdote de coração paternal, um profeta para o nosso tempo e um fundador que continua inspirando milhares de pessoas a viverem a Aliança de Amor, a confiança na Providência e o amor incondicional à Igreja.

Fonte: Padre Vitor Possetti