30º Domingo do Tempo Comum Ciclo A
Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo

Publicado em: terça, 20 de outubro de 2026 às 09:46h
Por: Dom Antonio Carlos Rossi Keller

30º Domingo do Tempo Comum Ciclo A

 

A liturgia deste 30º Domingo do Tempo Comum concentra-se no mandamento do amor: amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo. Jesus resume toda a Lei e os Profetas nestes dois preceitos inseparáveis. O amor a Deus se prova no cuidado concreto com os mais frágeis; o amor ao próximo é o caminho privilegiado para amar a Deus. Não se trata de um sentimento abstrato, mas de uma opção concreta de vida que gera justiça, misericórdia e fraternidade.

Na 1ª Leitura (Ex 22,20-26): Deus ordena proteção ao estrangeiro, à viúva e ao órfão. Quem oprime os vulneráveis atrai a ira divina. A justiça social não é opcional; é exigência da aliança com o Senhor, que se revela misericordioso e defensor dos pobres.

São Paulo, na 2ª Leitura (1Ts 1,5c-10) elogia a comunidade de Tessalônica por ter acolhido a Palavra com alegria, mesmo em meio a tribulações, e se tornado modelo de fé. A conversão autêntica se manifesta no abandono dos ídolos e no serviço ao Deus vivo, na espera ativa do Senhor.

No Evangelho de hoje (Mt 22,34-40), interrogado sobre o maior mandamento, Jesus une Dt 6,5 e Lv 19,18: amar a Deus de todo o coração, alma e entendimento, e ao próximo como a si mesmo. Toda a Escritura depende destes dois mandamentos. O amor não se divide; quem ama verdadeiramente a Deus ama o irmão.

Neste domingo, 25 de outubro de 2026, o Brasil vive o segundo turno das eleições presidenciais. A liturgia nos interpela diretamente: o amor a Deus e ao próximo não pode ficar restrito ao templo. Ele se traduz em responsabilidade cívica. Votar é um ato de amor ao próximo e de serviço ao bem comum. Cada cidadão é chamado a exercer este direito-dever com consciência, discernimento e senso de justiça.

A primeira leitura nos lembra que Deus escuta o clamor dos oprimidos. Ao votar, precisamos perguntar: qual proposta visa a melhoria, através de projetos concretos, da situação social do país? O Evangelho exige que nossas escolhas sejam guiadas pelo amor, e não pelo ódio, pela vingança ou pelo interesse egoísta. A responsabilidade no voto implica estudar os programas, rejeitar a desinformação e escolher com liberdade interior, sem se deixar manipular por paixões momentâneas.

A importância de votar é inegável. Abster-se ou anular o voto por indiferença significa omissão diante do bem comum. Como cristãos, somos convidados a participar ativamente da construção de uma sociedade mais justa e fraterna, na qual o amor ao próximo se concretize em políticas públicas, respeito à dignidade humana e busca da paz. Que o Espírito Santo ilumine cada eleitor, para que o exercício do voto seja, de fato, expressão do maior mandamento: amar a Deus e ao próximo.

Que Maria, Mãe da Igreja e Rainha da Paz, interceda por nosso país neste momento decisivo. Amém.

Fonte: Dom Antonio Carlos Rossi Keller