Aqui está o coração do Mistério: a Ressurreição não é só de Jesus – é nossa!
Domingo da Páscoa da Ressurreição do Senhor

Publicado em: segunda, 30 de março de 2026 às 10:29h
Por: Dom Antonio Carlos Rossi Keller

Homilia para o Domingo da Páscoa da Ressurreição do Senhor.

Catedral Santo Antonio – 05 de abril de 2026

 

Queridos irmãos e irmãs em Cristo,

Aleluia! Cristo ressuscitou! Verdadeiramente ressuscitou!

Hoje o céu e a terra se abraçam num único grito de alegria. O túmulo está vazio. A morte foi vencida. A vida explodiu em vitória. Não é uma história bonita para consolar corações tristes. É o fato mais revolucionário da história humana: Deus, em Jesus de Nazaré, destruiu para sempre o poder da morte e abriu para nós as portas da vida eterna.

Vamos mergulhar, com o coração aberto, nas Leituras que a Igreja nos oferece neste dia santo, para que o Mistério da Ressurreição não fique apenas na liturgia, mas se torne carne e sangue na nossa vida de hoje.

1. O Evangelho (Jo 20,1-9): O túmulo vazio e a fé que nasce correndo

Maria Madalena chega ao sepulcro “bem de madrugada, quando ainda estava escuro”. O escuro ainda cobre o mundo, mas ela não aguenta ficar parada. O amor a impulsiona. E o que encontra? A pedra removida. O túmulo vazio. Os lençóis enrolados, o sudário dobrado à parte.

Pedro chega ofegante. João, o discípulo amado, chega primeiro, olha, vê e crê. Ainda não entendem plenamente as Escrituras, mas o coração já sabe: Ele não está aqui! Ele ressuscitou!

Irmãos, este é o primeiro sinal da Páscoa: o vazio que grita presença. Onde antes havia morte, agora há espaço para a vida nova. Onde antes havia desespero, agora corre a esperança. Pergunto-vos hoje: e o nosso “túmulo” interior? Quantas vezes carregamos dentro de nós sepulcros fechados – mágoas, medos, pecados, desilusões? A Ressurreição de Jesus é o convite divino para correr, como aqueles discípulos, e descobrir que o Senhor já removeu a pedra pesada que nos prendia.

2. A Primeira Leitura (At 10,34.37-43): Pedro, o covarde transformado em testemunha

Pedro, que negou Jesus três vezes por medo, agora fala com a coragem dos ressuscitados. Diante de pagãos, ele proclama sem rodeios: “Deus ungiu a Jesus de Nazaré com a força do Espírito Santo… Eles o mataram, pendurando-o num madeiro. Mas Deus o ressuscitou ao terceiro dia… e nós somos testemunhas”.

Notem: Pedro não fala de teoria. Fala do que viu, do que comeu e bebeu com o Ressuscitado. E o que ele anuncia? O perdão dos pecados para todo aquele que crê nele. Para todos! Não há exceção. Nem para o romano, nem para o pecador, nem para o descrente.

Irmãos, esta é a segunda grande verdade pascal: a Ressurreição não é um evento privado de Jesus. É a boa notícia que explode para todos os povos. Pedro, que antes tinha medo do que os outros pensavam, agora não cala. E nós? Diante de um mundo que acha que a fé é coisa do passado, seremos nós testemunhas corajosas ou ficaremos mudos?

3. A Segunda Leitura (Cl 3,1-4): A vida nova que já começou

São Paulo nos ensina o “como viver” da Páscoa: “Se ressuscitastes com Cristo, aspirai às coisas do alto, onde Cristo está sentado à direita de Deus. Afeiçoai-vos às coisas do alto e não às da terra. Pois morrestes e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus”.

Aqui está o coração do Mistério: a Ressurreição não é só de Jesus – é nossa! No Batismo fomos sepultados com Ele e ressuscitamos com Ele. A nossa verdadeira vida já está escondida em Deus. Por isso, não podemos mais viver como se a morte tivesse a última palavra.

O que significa isso nas realidades de hoje?

Num mundo marcado pela violência das ruas, pela desesperança dos jovens, pela corrupção que suga a vida do povo, pela solidão das famílias, pela indiferença que mata o amor – nós, ressuscitados, somos chamados a ser sinal vivo da vitória de Cristo.

Aspirar às coisas do alto não é fugir da terra. É olhar a terra com os olhos de Deus. É ver no irmão que sofre o próprio Cristo que ressuscitou. É lutar pela verdade, pela justiça, pela paz, pela vida, com a certeza de que o mal não tem futuro. É perdoar quando tudo grita vingança. É levantar o caído quando o mundo o abandona. É cantar aleluia mesmo quando o coração sangra. Porque a nossa vida “está escondida com Cristo em Deus” – e ninguém pode roubá-la.

Irmãos e irmãs,

A Páscoa não termina hoje. Ela começa hoje. O túmulo vazio é o convite diário para uma vida nova. O Espírito que ressuscitou Jesus quer ressuscitar em nós a coragem, a esperança, a alegria, o amor sem medida.

Que esta Eucaristia seja o momento em que, como o discípulo amado, olhamos o lençol dobrado da nossa vida antiga e acreditmos. Que saiamos daqui como Pedro: transformados, sem medo, anunciando a todos que Cristo vive!

E que, no dia a dia de onde vivemos, o nosso testemunho faça ecoar a pergunta que o mundo inteiro precisa ouvir:

Por que procurais entre os mortos Aquele que está vivo? Ele ressuscitou!

Aleluia! Aleluia! Aleluia!

Que a alegria da Ressurreição encha os vossos corações e transforme o mundo através de vós. Amém.

Cristo ressuscitou! Verdadeiramente ressuscitou!

 

Fonte: Dom Antonio Carlos Rossi Keller