6º Domingo do Tempo Comum – Ciclo A
Tema central da Liturgia da Palavra:
A plenitude da Lei se realiza no coração convertido: Jesus chama seus discípulos a viverem uma justiça maior, que nasce do amor e se expressa em escolhas concretas do dia a dia.
Irmãos e irmãs, a Palavra de Deus deste Domingo nos apresenta um ensinamento exigente e, ao mesmo tempo, profundamente libertador.
Na primeira leitura, o livro do Eclesiástico recorda que Deus colocou diante do ser humano a vida e a morte, o bem e o mal. Ele nos criou livres e nos chama a escolher conscientemente o caminho que conduz à vida. A fidelidade a Deus não é imposição, mas resposta responsável de quem deseja viver segundo a Sua vontade.
Jesus, no Evangelho, afirma que não veio abolir a Lei, mas levá-la à plenitude. Essa plenitude não consiste em multiplicar normas externas, mas em permitir que a vontade de Deus alcance o mais íntimo do coração humano. A verdadeira fidelidade não se mede apenas por gestos visíveis, mas pela intenção, pelo amor e pela coerência interior.
A segunda leitura, da Primeira Carta aos Coríntios, nos fala da sabedoria de Deus, escondida aos olhos do mundo, mas revelada aos que se abrem à ação do Espírito. Trata-se de uma sabedoria que não se reduz a regras, mas transforma a vida desde dentro, conduzindo o cristão a compreender o sentido mais profundo da Lei e do Evangelho.
O Senhor nos conduz além do “mínimo necessário”. Ele nos convida a uma justiça maior, que supera a simples observância formal e se traduz numa vida inteiramente orientada para Deus. A raiz do pecado não está apenas nos atos externos, mas nas disposições interiores: na ira que fere, no olhar que reduz o outro a objeto, na palavra impensada que rompe a comunhão. Por isso, Jesus nos chama a cuidar do coração, lugar onde se decidem as grandes e pequenas escolhas da vida cristã.
Aqui encontramos um ponto central da espiritualidade cristã vivida no cotidiano: Deus nos espera precisamente nas situações comuns da vida. A santidade não é algo reservado a momentos extraordinários, mas constrói-se nas pequenas decisões de cada dia, no trabalho bem feito, na fidelidade aos compromissos assumidos, na paciência, no perdão, na sinceridade. Viver a Lei em plenitude é transformar a vida ordinária em resposta de amor a Deus.
Para as famílias e os casais, esta Palavra é um convite a cultivar um amor verdadeiro, fiel e respeitoso, que começa no coração e se expressa em gestos concretos de escuta, de diálogo e de reconciliação. A harmonia no lar nasce quando se escolhe, todos os dias, amar de verdade, mesmo quando isso exige renúncia e sacrifício.
Aos jovens, Jesus propõe uma grandeza de vida que não se contenta com o superficial. Ele os chama a sonhar alto, a formar um coração limpo, capaz de escolhas responsáveis, livres e generosas. A fidelidade hoje prepara a alegria de amanhã.
Às crianças, o Senhor ensina que obedecer a Deus é um caminho de felicidade. Aprender desde cedo a dizer a verdade, a respeitar os outros e a fazer o bem é já viver essa justiça maior que agrada ao Pai.
Celebrar a Eucaristia dominical é renovar o desejo de viver assim. Da Missa brota a força para que nossa fé não fique apenas nas palavras, mas se torne vida. Ao comungarmos, pedimos a graça de um coração semelhante ao de Cristo, capaz de amar sem medidas.
Que ao sairmos desta celebração, levemos conosco uma decisão concreta: cuidar mais do coração, ordenar nossas intenções, viver com mais coerência a fé no cotidiano. Assim, a Lei se cumpre em nós, e nossa vida se torna um testemunho silencioso, mas eloquente, do amor de Deus no mundo.