Não conheço a opinião do simpático Leitor. Todavia, nada impede de expressar a minha, que por sinal, vem argumentada. E de cara já dogmatizo: não é comum, não. É extraordinário, é fora do normal, é sobrenatural. Não como pessoa humana, mas pelos atributos de que está revestido. E por falar em pessoa, diga-se de passagem, que o padre como homem deve ser íntegro, possuidor de todos os seus membros e órgãos. Em hipótese alguma, as famílias que ofertam seus filhos a Deus, não os podem ofertar mutilados.
O padre não é ordenado por vontade própria e nem por exigência de terceiros. Não é uma indicação política ou social. Muito menos por que é portador de atributos especiais, raros dotes ou dons incomuns. Passa por um tirocínio severo dos seus superiores responsáveis. Óbvio que alguns chegam ao Altar, até indignos. Isto faz parte da imperfeita condição humana. O que interessa são os poderes sobrenaturais de que é revestido no dia da sua ORDENAÇÃO.
Houve um Santo que escreveu: “Se eu encontrasse na rua a Virgem Santíssima e um Padre, saudaria primeiro o padre”. E justificava: “Maria gerou Cristo uma vez. O padre, mutatis mutandis, gera o Cristo toda a vez que reza a Missa, na hora da Consagração do pão e do vinho”. Existe no mundo, maior potestade do que esta? E o privilégio de apagar todos os pecados e culpas na Confissão? Que juiz no universo possui a faculdade de isentar o pecador, o assassino, o ladrão, o traidor, o vagabundo, o ateu de todos os seus desvarios e loucuras? O penitente sai do confessionário com a alma lavada idêntico a um inocente recém nascido. E qual é o cidadão que, ao ver chegar sua última hora, não suspira pela presença de um padre, mesmo que ele lhe seja antipático ou de má índole? Também não se podem esquecer as responsabilidades administrativas e sociais, relacionadas com a Direção da Paróquia, magistério e outras inúmeras instituições do múnus sacerdotal. Embora estas não sejam suas atividades específicas, cobra-se dele mais do que do Prefeito na administração do Município.
Se não existisse o padre, também não existiriam os Sete Sacramentos. São como os professores, sem os quais não haveria ensino. Sem os padres, quem ensinaria a Religião? Quando Deus criou a humanidade, colocou os Profetas e os sacerdotes para que Lhe prestassem culto e conduzissem as pessoas no caminho do Bem. Ao mesmo tempo, estabeleceu uma severa advertência ao povo, no trato com os seus ministros: “Nolite tangere christos meos” – (1Cron 16,22). Não ouseis tocar nos meus ungidos. É bem enfático: Não tentem agredir os meus privilegiados. E a agressão não é somente com atos ou obras, mas mesmo com difamações, injúrias, calúnias ou quaisquer palavras. NÃO OUSEIS, pois o padre é minha propriedade particular.