Neste mês das vocações, em nome do Movimento de Schoenstatt, vou comentar sobre a vocação sacerdotal, que é um dos maiores mistérios e dons que Deus concede à sua Igreja. Ao completar 21 anos de ministério ordenado, sinto no coração uma gratidão imensa e a necessidade de partilhar, com todos vocês, um pouco do que significa esse chamado que transforma a vida de um homem e o coloca a serviço do Reino de Deus.
Não é sobre as atividades pastorais ou as funções administrativas que desejo mensurar, mas sobre o âmago, a essência do ser padre. A vocação não é uma escolha profissional como outra qualquer; é um encontro pessoal e profundo com o Senhor, que nos convida a deixar tudo para trás e a segui-Lo. Lembro-me bem das minhas origens, sou o primeiro de seis filhos de Elio e Lourdes, no interior de Iraí, pertenço à Paróquia de Planalto, terra que, com alegria, recordo, foi berço de mais de 30 sacerdotes. Foi ali, no seio de uma família simples e na comunidade de fé, que o Senhor semeou a semente do chamado em meu coração. Como bem nos ensinou o saudoso Papa João Paulo II, a família é o berço e o santuário da vida e das vocações. Por isso, jamais podemos esquecer de rezar pelas famílias, pois é delas que brotam os operários para a messe do Senhor.
Ser padre é ser chamado a participar do Ministério de Cristo, a ser um administrador dos sacramentos e um guia espiritual para o povo de Deus. É uma realidade que me alegra profundamente: poder celebrar a Eucaristia, perdoar os pecados em nome de Deus e ajudar as pessoas a se endireitarem no caminho da santificação. Não se trata de um fardo, mas de uma graça imensa que nos permite tocar a vida das pessoas nos momentos mais importantes e, muitas vezes, mais dolorosos de sua existência. Somos instrumentos nas mãos de Deus para transmitir o Seu grande amor pela humanidade, especialmente através da pregação e da administração dos sacramentos.
A caminhada de um sacerdote, no entanto, não é isenta de desafios. A formação inicial, o cuidado com os seminaristas, o estudo e a busca por uma qualificação mais profunda, como a que realizei na Itália, são etapas fundamentais para que possamos, cada vez mais, ser servidores fiéis e capacitados. O sacerdote não pode se acomodar; ele deve ser um eterno discípulo, sempre em busca de aprofundar sua espiritualidade para melhor servir ao seu rebanho. Este empenho pela formação não visa apenas ao padre, mas a toda a comunidade, para que, juntos, possamos caminhar na verdade e na caridade.
Vivemos em um mundo cheio de ruídos e "modismos" que muitas vezes nos afastam do essencial. Por isso, o padre é chamado a ser um sinal de contraste, um profeta que anuncia a Boa Nova e convida a todos a não viverem como o mundo pede, mas como Deus nos pede. No mês de agosto, mês vocacional, renovamos o nosso convite à oração. Rezemos com fervor para que o Senhor envie novos operários para a sua messe. Rezemos para que os jovens escutem a voz de Deus e tenham a coragem de responder "sim" ao seu chamado, seja ele para o matrimônio, para a vida religiosa ou para o sacerdócio.
Rezemos também por nós, sacerdotes, para que sejamos perseverantes, fiéis e alegres em nossa missão. E que a intercessão de Nossa Senhora, Mãe das Vocações, proteja nossas famílias, nossos jovens e todos os que se consagram ao serviço do Senhor.
Que Deus abençoe a todos!