UM TEXTO QUE VELAVA OS MORTOS E AINDA ASSUSTA OS VIVOS

04/11/2025 às 11:38h

     No dia de Finados, até a década de 1960, entoava-se na liturgia um texto chamado Dies Irae (literalmente, "Dia de Cólera") — e ele dizia, entre outras coisas, o seguinte:

     "Toda a natureza e até a mesma morte se encherão de espanto e pavorna hora em que os homens ressuscitarem

para responder diante deste Juiz terrível.

 E no momento em que o Juiz se assentar no trono, aparecerá descoberto tudo quanto estivera oculto,

nenhum crime ficará impune.

 

 Que direi nessa hora, infeliz que sou?

A quem rogarei que interceda por mim junto a um Juiz diante do qual até mesmo os Justos hão de tremer?"


      Forte, não?
 Pois sim, forte mesmo. Pois era para colocar-nos diante da morte, uma certeza que todos temos, mas sobre a qual meditamos muitíssimo pouco — isso quando não ficamos fugindo do assunto, por longos anos, ou quiçá a vida inteira!
Antes, porém, assustar-nos agora, pensando neste tema e dando-lhe a devida importância, do que levar um susto quando vier nos visitar a morte, pegando-nos desprevenidos, encontrando-nos despreparados, levando-nos para onde, definitivamente, não gostaríamos de ir.
 Por isso, prepare-se para o seu encontro inevitável com o Senhor, através das meditações sobre a morte.   

 

 Neste fim de semana, 1º e 2 de novembro, a Igreja celebra duas festas litúrgicas que nos convidam a meditar sobre o mistério da comunhão dos santos: a Solenidade de Todos os Santos, quando fazemos memória daqueles que já estão contemplando a Deus face a face; e a Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos, quando recordamos os irmãos falecidos que já estão salvos, mas ainda não estão no Céu, e rezamos para que o tempo deles no Purgatório seja abreviado. Em ambas as festas, celebramos o mistério de que a Igreja é um só corpo, uma só família. Eis o mistério da comunhão dos santos. 

 A “Lumen Gentium” sintetiza a doutrina da comunhão dos santos expressa nos três estados da Igreja: a peregrina, nós que vivemos neste mundo; a padecente, os fiéis que estão se purificando no Purgatório; e a triunfante, os santos no Céu. E podemos entender esse mistério da comunhão dos santos olhando para a analogia do nosso próprio corpo: nossa alma une funcionalmente todos os membros do nosso corpo, assim como o Espírito Santo nos une no Corpo Místico de Cristo, que é a sua Igreja — e isso de tal forma que todos temos parte nos tesouros da Igreja. 

Deus abençoe vocês!

 

 

Fonte: Diácono Arildo Crespan