No mês de novembro a Igreja se reveste de silêncio e de esperança. É o momento em que recordamos o Dia dos Fiéis Defuntos, que não é apenas um dia de saudade propriamente, mas um ato de fé; fé na vida eterna, na comunhão dos santos e no amor que vence a morte, Jesus Cristo. Diante dos túmulos e das lembranças, somos convidados a olhar para o Jesus Crucificado e Ressuscitado, que transformou a dor em esperança e a morte como uma passagem aqui na Terra.
Certa forma, a morte, aos olhos humanos, parece o fim, uma situação de incerteza e inquietude ou até mesmo uma lamentação que não tem fim. A morte é o momento final, aquele para o qual nos preparamos desde o início e que sabemos que um dia chegará para todos nós. Mas, para nós Católicos, devemos olhar com olhos da fé; Jesus pede para confiarmos Nele, que acreditemos Nele, porque não nos deixará sós nesse momento e nos levará para a sua morada celestial. Por isso Jesus é o Caminho e é Ele nos conduz; é a porta que se abre para o encontro definitivo com Deus, nosso Criador, e veremos tal como ele é, Puro Amor Infinito que nos ama a todo momento, e quer de volta os seus filhos para juntos gozadas das alegrias eternas!
Neste dia, recordamos com amor todos aqueles que partiram antes de nós (pais, irmãos, amigos, filhos, consagrados, sacerdotes, pessoas que fizeram parte da nossa história). Recordemos os bons momentos que vivemos e as lembranças que tivemos junto com essas pessoas. Apesar do luto, a nossas memorias sejam atos de amor que tivemos por aqueles entes que partiram para junto do Pai! Rezamos por eles, não porque duvidamos da misericórdia divina, mas porque cremos na comunhão dos santos: O amor nos une para além do tempo e do espaço.
Nesse dia dedicado aos fiéis defuntos, sejamos pessoas que transformamos o luto, então, em oração. A lágrima se torna súplica. A saudade se converte em confiança. Cada vela acesa nos cemitérios é sinal de que a luz de Cristo não se apaga, mesmo nas sombras da morte.
“Não tenhas medo da morte. - Aceita-a desde agora, generosamente..., quando Deus quiser..., como Deus quiser..., onde Deus quiser. - Não duvides; virá no tempo, no lugar e do modo que mais convier..., enviada por teu Pai-Deus. - Bem-vinda seja a nossa irmã, a morte!” Caminho, 739.
Que esta frase de São Josemaria Escrivá seja uma oração e um convite à conversão: lembrar a morte é recordar que somos peregrinos, e que nossa pátria definitiva está nos Céus. O cemitério não é o fim da caminhada! É o ponto de encontro entre a promessa e a eternidade.