A FRAGILIDADE DA NATUREZA HUMANA

04/11/2025 às 09:57h

Mais cedo ou mais tarde alguma dor ou sofrimento nos chega, com maior ou menor força. Para alguns, acontece no nascimento ou mesmo antes de nascer. A dor e o sofrimento já marcam a vida desde o começo. É uma doença séria aqui, um sofrimento psicológico ou moral ali. Inevitavelmente vamos nos dando conta de nossa fragilidade. Há quem passe a vida inteira com enormes sofrimentos. E quando morre algum familiar próximo? E até quando se desenrola uma crise econômica na família? Muita coisa pode não dar certo em nossa vida. O fato é que, estamos sempre envoltos em fragilidade. É que, por causa do pecado de Adão, perdemos o paraíso terrestre, não é mais aqui nossa casa, e nem temos aqui lugar permanente. Outra morada infinitamente melhor nos espera.

O dia de finados é para rezamos pelos nossos falecidos que ainda não entraram no céu. Ao recordarmos deles, estamos também diante de nossa morte. Costumamos visitar o cemitério e ali a realidade se impõe. Quando será nossa vez? Como será nossa morte? E que sentido tem tudo isso? São perguntas difíceis de evitar. A tentação do desespero se faz presente. A verdade é que aqui não é nossa morada permanente. Pela nossa fé encontramos o sentido da morte. Ela é uma passagem para outra morada onde encontraremos muito mais do que para este mundo poderíamos esperar.

Na oração pelos mortos, além de lembrarmos da realidade da morte, recordamos que há um defensor, Cristo Jesus. Foi precisamente para nos Salvar da morte, morte eterna, que o Senhor Jesus veio e morreu na cruz. Assim, tendo perdido o paraíso terrestre, ganhamos mais por Cristo, o paraíso celeste. Somos mortos para este mundo no batismo, na morte com Cristo. De sorte que nossa morte é um acontecimento que completa a morte que tivemos no batismo.

Por causa disso, por que morremos com Cristo e como Cristo, também ressuscitaremos como ele. Com efeito, também nosso corpo é semente depositada no sepulcro, para a ressurreição no último dia. Tudo de nós será glorificado, em Cristo. Tudo de nós, depois da purificação pelo amo de Deus, participará da vida divina. Isso é fonte de esperança para nós. Quem tem fé, alcança uma alegria verdadeira pelo fato de saber que um dia poderá ver a Deus face a face. E, sabendo do amor que Ele tem por nós a ponto de morrer na cruz, quão imensa não será nossa alegria!

O dia de finados não é só um dia em que lembramos dos mortos. É o dia em que oferecemos orações e sobretudo o sacrifício da missa pelas almas dos falecidos para que eles possam ser absolvidos dos seus pecados e entrem na glória da visão beatífica. Nós reconhecemos que nem todos os fieis eram santos. Muitos eram pecadores e precisam das nossas orações para saírem do purgatório e entrarem na visão beatífica. Que eles possam ser como ouro que foi purificado por um tempo e agora entram na glória de Deus. Vamos orar pelos nossos falecidos e oferecer o sacrifício da Missa por eles. A igreja também recomenda as esmolas, as indulgências e as obras de penitência em favor dos defuntos.

A morte é uma humilhação, junto com tantos outros sofrimentos. A sua recordação deve nos fazer viver bem a vida, com humildade, lembrando que tudo vem de Deus. Precisamos nos afastar do velho Adão e ser amigos de Cristo, a fim de com ele estar na vida presente e na morte, glorificados.

A preocupação de fundo da nossa vida é conhecer, amar e louvar a Deus. Junto com isso vem o amor aos seus filhos. Isso é o mesmo que procurar a salvação de nossa alma e da de nossos irmãos. Como nós rezamos pelas almas do purgatório, almas que já estão salvas, nossa preocupação deve ser com salvar nossa alma e também, junto com isso, procurar a perfeição, o que é o mesmo de buscar o céu, ser santos como Deus é santo.

Fonte: Cônego Elisandro Fiametti
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