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13a Carta

Frederico Westphalen, 19 de agosto de 2010.

 

Caro irmão padre,

“Sede, pois, imitadores de Deus, como filhos muito amados. Andai no amor, a exemplo de Cristo, que nos amou e Se entregou a Si mesmo por nós a Deus, como oferenda e sacrifício de suave odor”. (Efésios, 5,1-2).

Desejo-te todo o bem e toda a graça que vem de Deus.

A saudação do Apóstolo São Paulo, acima citada, fala do amor. É a síntese da Lei e dos Profetas, o coração da Nova Aliança inaugurada pelo sangue redentor de Cristo. Na Igreja, cada um é chamado a viver a própria vocação com esta marca fundamental: a do amor. Este deve ser sempre o ponto de referência em nossa vida. Somente o padre que é capaz de amar com o amor do próprio Cristo será capaz de apropriar-se da atitude fundamental de vida sadia e dinâmica que o tornará sempre estável: seja na juventude, seja na maturidade, seja na velhice; nos dias de perfeita saúde, como nos anos de declínio da vida. Ninguém vive sem amor... Quando nosso coração não está cheio do amor a Cristo, certamente encontraremos outros amores..., na verdade, simulacros de amor, falsos amores, que ao invés de preencher nosso coração, o tornarão árido, seco, amargo.

A cada dia é necessário renovar este amor, base de nossa vida sacerdotal. Um amor grande a Cristo, expresso no diálogo íntimo da oração pessoal, na escuta humilde de sua Palavra e na celebração cuidadosa e atenta da Eucaristia. Quero insistir muito nestes pontos que nos foram apresentados no encerramento do Ano Sacerdotal, de forma simples, pelo conferencista: a necessidade de que cada um tenha um simples Plano de Vida diário, no qual se contemple de forma muito especial, a Celebração da Eucaristia. Somos homens da Eucaristia, não só “para os outros”, no sentido de celebrar só quando há pedido ou necessidade, mas a Eucaristia tem que ser o centro de nossa vida e nosso Ministério presbiteral. Diria mais: precisamos da Celebração diária da Missa, para dar um sentido eucarístico para a nossa vida e para o nosso Ministério: um sentido de autêntica entrega, de generosa “kenosis”. Se não for assim, nos “profissionalizamos” negativamente, ou seja, burocratizamos nosso Ministério, caímos na tentação de “fazer as contas”: de pretender medir o exercício de nosso Ministério só celebrando a Eucaristia se temos gente, se foi encomendada, se foi pedida por determinada Comunidade, se está agendada...

Como sempre, há muitas coisas para tratar. Como presbitério diocesano, nos encontramos poucas vezes... Assim, sobram os assuntos cada vez que te escrevo.

1.       A questão da Campanha para a reforma do Seminário Menor.

Antes de tudo, quero te agradecer do fundo do coração o interesse por esta necessidade tão urgente de nossa Diocese. Tivemos, há poucos dias uma reunião de avaliação com a Comissão Pró reforma. Fiquei muito feliz, já que todos os membros da Comissão falaram com entusiasmo e alegria de como tem sido recebidos nas diversas Paróquias. Ou seja, mais uma vez, os padres da Diocese, incluindo os religiosos, dão um testemunho fantástico de comunhão presbiteral. Todos contaram das diversas reuniões que aconteceram, ou da preparação de outras ainda não realizadas. E todos manifestaram o carinho e o apoio dos padres, fundamental para que a Campanha atinja seus objetivos. Dificuldades sempre existirão, especialmente quando a questão envolve dinheiro a ser conseguido. Mas vamos em frente com coragem, esforçando-nos para cumprir a meta proposta para nossa Paróquia. É só uma questão de organização, já que o povo tem alegria em ajudar e se sacrificar pelo Seminário e pelas vocações. As metas propostas são um desafio à generosidade e uma ocasião de fazer as Comunidades entenderem a importância do nosso Seminário, da formação dos novos padres. Conto com a compreensão e a dedicação de todos.

2.       A questão do Seminário Propedêutico.

No andamento das definições em relação à construção do Seminário Propedêutico junto ao Monumento de Cristo Rei, deparamo-nos com alguns problemas técnicos de muita gravidade. Esta é uma decisão que não pode “dar errado”, já que o investimento é bastante alto. Os problemas fundamentais são os seguintes:

·         A questão da água. Não há facilidade de se conseguir a quantidade de água para as necessidades normais da casa. Hoje, a água potável é trazida de Frederico Westphalen... Não existe uma solução fácil em relação ao abastecimento de água naquele lugar.

·         A questão do isolamento. É uma questão séria. Durante o ano letivo, com a presença do reitor e dos seminaristas a questão não é tão grave, ainda mais que o Propedêutico proporciona somente estudos internos. Mas e durante as férias? Quem cuida da casa? Como deixar lá, em turnos, dois ou três seminaristas, isolados, sem meios de transporte para urgências, etc.?

·         A questão da locomoção de funcionários e professores. Ainda que existam meios de transporte públicos, mas de fato, as distâncias e as dificuldades são grandes.

·         A questão do Testamento. No Testamento da Sra. Aduína Schmitt, consta especificamente, que o dinheiro deixado à Diocese deve ser empregado, entre outras destinações, no Seminário Menor Nossa Senhora Medianeira, no Seminário Filosófico de Nonoai (não mais existente) e no Seminário de Passo Fundo (Teologia, que necessita também de algumas reformas etc., mas sem tanta urgência). Assim, fomos alertados que a utilização do dinheiro deixado em outra obra, poderia futuramente gerar problemas para a Diocese.

Assim sendo, procurei com agilidade reunir os formadores, primeiros responsáveis com o Bispo pela formação dos seminaristas, para que me ajudassem a tomar uma decisão. Secundado pela opinião dos mesmos, decidi-me então a:

·         Em relação à construção do Seminário Propedêutico junto ao Monumento de Cristo Rei. Não vamos investir dinheiro lá. Caso futuramente for necessário, temos a garantia do Cônego Leonir de ceder-nos aquela área, já que tudo, nominalmente, pertence à Catedral Diocesana.

·         O Seminário Propedêutico. Vamos ocupar, para o Seminário Propedêutico, o espaço que o mesmo já ocupou tempos atrás, junto ao Seminário Menor. Estivemos lá, para verificar a situação e acertar as mudanças necessárias. O projeto de Reforma do Seminário Menor será readequado, sem maiores problemas.

·         Os valores recebidos serão aplicados, portanto, na reforma do Seminário Menor, que incluirá (como já estava no Projeto original) também no espaço que será o Propedêutico... Assim sendo, temos já um valor bastante significativo para iniciar as reformas, e para abreviar o tempo da Campanha Pró Reforma, antes previsto para 3 ou 4 anos. Logo saberemos exatamente os valores que temos à disposição. Mas as notícias serão muito boas, tenho certeza. Ou seja, ao invés de usar o dinheiro para construir uma outra Casa, vamos concentrá-lo na reforma do Seminário Menor. Faremos uma grande economia.

 

3.       A questão das assim chamadas “Missas Crioulas”

Por ocasião da “Semana Farroupilha”, vem à tona, novamente, a questão das solicitações para a celebração das chamadas “Missas Crioulas”. Peço a tua atenção para esta questão, lembrando que existem Normas explícitas e claras. Não é possível nestes casos transigir, e gostaria muito de insistir caso seja te solicitada uma destas Celebrações, que fossem seguidas em tudo o que dispõem estas Normas (As Normas podem ser encontradas no web site da Diocese, bem como no Jornal da Diocese, na próxima edição do mês de setembro, em uma Nota Pastoral). Não há mais nenhuma autorização para o uso da celebração usando o texto aprovado pelo então Emmo. Cardeal Scherer, de Porto Alegre. Peço a tua atenção a respeito desta questão.

4.       Liturgia.

Ainda, em relação a diversas questões litúrgicas, encaminho, junto com esta Carta, uma parte do belo livro do Frei Alberto Beckhäuser, OFM, grande liturgista do Brasil, em relação à celebração da Santa Missa. São orientações práticas, concretas, para o sacerdote bem como para as equipes de Liturgia. Vamos cuidar de nossas Celebrações com carinho. Cuide da Celebração Eucarística das Comunidades que te foram confiadas. Deus merece isto, que tudo seja feito de acordo com as Normas da Igreja que estão em vigência. Repito o que tenho dito: não somos donos da Liturgia. Ela é um patrimônio da Igreja, e nenhum de nós tem o direito de modificá-la sem a devida obediência a estas Normas. Peço que cuide especialmente do material litúrgico utilizado, de sua dignidade, limpeza e conservação. Faça um esforço para a utilização de TODOS os paramentos previstos (túnica, estola e casula). Mais uma vez repito: o livro da Bíblia não é um livro litúrgico. Portanto, não pode ser utilizado para a leitura litúrgica nas Celebrações. Para isto existem os Lecionários e o Evangeliário. E que os Ministros extraordinários da Comunhão Eucarística se atenham às suas funções, obedecendo as regras estabelecidas para o exercício e a prática deste Ministério. Abra espaço para os coroinhas. Cuide de que também eles se apresentem com vestes dignas, bem como os Leitores, comentaristas, etc.

5.       Equipes Diocesanas das diversas Pastorais.

No próximo dia 24 de agosto, teremos a reunião ordinária da Equipe Diocesana de Coordenação Pastoral.

Nesta reunião, entre tantos outros assuntos, vamos começar a organizar as Equipes Diocesanas das diversas Pastorais. Será um passo importantíssimo para o andamento pastoral de nossa Diocese, que carece destes meios intermediários para uma organização mais eficiente da pastoral Diocesana.

6.       Cinqüentenário da Diocese, Visitas pastorais, Sínodo Diocesano e Congresso Eucarístico.

Junto com a Equipe de Coordenação Pastoral, vamos iniciar a busca de caminhos para realizar a “Santa Visita Pastoral” do Bispo às Paróquias e Comunidades da Diocese. Penso que a 1ª Visita deva ser mais simples, não tão abrangente no sentido geográfico, mas visando, antes de tudo, conhecer a realidade de nossas Paróquias e suas Comunidades. A oportunidade que se nos apresenta é aquela de nos prepararmos para celebrar o Cinqüentenário da criação e da instalação de nossa Diocese, no período 21 de maio de 2011 a 24 de junho de 2012. Em continuidade a esta Santa Visita Pastoral, poderíamos realizar o Sínodo Diocesano, para encontrar os rumos necessários para a nossa Igreja Diocesana, e assim, corresponder aos apelos que o Senhor nos apresenta. O Sínodo Diocesano poderia encerrar-se com um Congresso Eucarístico Diocesano, comemorativo à instalação da Diocese, portanto, em 2012. São idéias ainda em germe, que espero podermos refletir para concretizá-las e assim, chegarmos ao cerne daquilo que o Documento de Aparecida nos pede, que é a chamada “conversão pastoral”.

 

Desejando-te todo a alegria que vem do Senhor, subscrevo-me, em Cristo,

Teu Bispo,

+ Antonio Carlos Rossi Keller

 


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