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11a Carta

Caro irmão padre

Tendo apenas regressado de Roma, quero te cumprimentar e desejar a ti e à tua Comunidade toda a Paz que vem de Deus.

Nós, Bispos do Brasil dos regionais da CNBB Sul 3 (Rio Grande do Sul) e Sul 4 (Santa Catarina) encerramos a Visita “ad Limina Apostolorum”.

Fomos a Roma, como Bispos e em nome de nossas Igrejas, para peregrinar pelas 4 Basílicas romanas (São Pedro, São João do Latrão, Santa Maria Maior e São Paulo) e também para encontrar-nos com o sucessor do Apóstolo Pedro, o Papa Bento XVI.

Vivemos momentos extraordinários de comunhão entre irmãos. A convivência entre nós Bispos, especialmente com os irmãos das diversas Dioceses do Rio Grande do Sul foi extremamente enriquecedora. Ficamos hospedados na mesma Casa, na chamada “Domus Sanctae Martae”, uma residência que hospeda muitos servidores da Santa Sé e que nos Conclaves, serve agora como o lugar de hospedagem para os Cardeais.

Celebramos a Santa Missa, como peregrinos, nas 4 Basílicas Maiores romanas. Pessoalmente, pude celebrar também na Basílica de São Pedro, nos pequenos altares que se espalham pelo sub-solo da grande Basílica. Estive muitas vezes em São Pedro, rezando por todos, especialmente pelos seminaristas e pelos padres de nossa Diocese. Participei também, no primeiro sábado aqui em Roma das primeiras Vésperas do Advento. Foi também um momento intenso de oração, no início deste tempo litúrgico.

A cada dia, visitamos algumas Congregações e Dicastérios da Santa Sé. É também, de certa maneira, um encontro com o Papa, no sentido de que encontramos e dialogamos com aqueles que prestam ao Santo Padre e à Igreja este serviço burocrático, mas sem dúvida muito importante. Em todas as diversas instâncias, fomos recebidos sempre com muita alegria e consideração. Pude intervir muitas vezes, nas diversas reuniões. Em uma delas, de maneira especial, na Congregação para a Causa dos Santos, pude agradecer o empenho no Processo dos nossos mártires. Estive também com o novo Postulador da Causa dos nossos mártires, Don Ricardo Petroni (aqui na Itália, para os padres diocesanos, usa-se o título de “Don”). Combinamos alguns procedimentos para a continuidade da agora “Causa de Canonização”.

Reparei que na casa onde ficamos hospedados e que, como já disse, é a casa de muitos servidores da Cúria Romana, como, tanto pela manhã como pela noite, tantos deles estão na Capela da casa, rezando. São homens de fé, que procuram servir a Igreja, oferecendo seus trabalhos e capacidades. Nos finais de semana, todos dirigem-se a muitas Paróquias de Roma e de fora de Roma, para exercerem seus trabalhos pastorais, em contato direto com o povo.

Tive também a alegria de poder encontrar-me com vários ex alunos meus, do tempo de professor e Diretor Espiritual do Seminário de São Paulo, que hoje prestam seus serviços à Igreja aqui, em Roma.

Por duas vezes, estive com o Santo Padre. A primeira vez, na sexta feira, em uma Audiência com 10 outros Bispos. Durante mais de 1 hora o Santo Padre manteve conosco um diálogo, perguntando muitas coisas de nossas Igrejas Diocesanas, e especialmente, animando-nos em nossa Missão Pastoral.

Em relação à nossa Diocese, o Santo Padre lembra-se perfeitamente da beatificação de nossos mártires. Disse-me que somos uma Igreja privilegiada, e chamada a ser digna do sangue de nossos mártires Manuel e Adílio. Falou com muita alegria a respeito dos nossos padres e seminaristas, de toda a esperança que as vocações suscitam em nossa Igreja. No final desta primeira Audiência, pude entregar ao secretário do Santo Padre uma Pasta de nossa Diocese, contendo várias coisas, entre elas, o folder com a fotografia dos padres diocesanos, bem como fotos dos diversos grupos de seminaristas da Diocese. Tenho certeza de que pudemos proporcionar ele um momento de alegria e de ânimo.

A segunda Audiência aconteceu com a presença de todos os Bispos dos Regionais Sul 3 e Sul 4. Dom Murilo, Arcebispo de Florianópolis, saudou, em nome de todos, ao Santo Padre. Depois, o Papa leu-nos uma Mensagem, naturalmente não dirigida tão somente aos nossos dois Regionais, mas a todo o Brasil. Nesta Mensagem, ele salientou dois aspectos importantes: em primeiro lugar a importância de se manter a identidade da Escola Católica, como formadora de discípulos missionários, aberta ao diálogo com o mundo; em segundo lugar, lembrou-nos os 25 anos do Documento “Libertatis Nuntius”, sobre alguns aspectos da teologia da libertação, insistindo ainda na necessidade da correção de alguns destes aspectos salientados no Documento, que tanto mal fizeram e ainda fazem à Igreja no Brasil. A Mensagem do Santo Padre foi uma Mensagem positiva, de ânimo e de encorajamento, para que nós Bispos do Brasil não tenhamos medo de enfrentar as dificuldades que ainda perduram em relação a estes dois temas importantes.

Após a leitura da Mensagem, pelo Papa, cada um de nós teve a oportunidade de cumprimentá-lo e de receber como presente do Santo Padre, uma belíssima cruz peitoral.

Assim caro irmão, resumo um pouco esta experiência fantástica que é a Visita “ad Limina Apostolorum”.

Desejando-te todo o bem, peço que Nossa Senhora, cujo belo ícone com o título de “Mãe da Igreja” tive nos dias romanos diante da janela de meu quarto, te abençoe bem como à tua Comunidade.

Seu irmão,

                                                                                +Antonio Carlos                                                                                  

 

 Frederico Westphalen, 15 de dezembro de 2009.


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