Os desígnios de Deus

Deus tem seus desígnios para este mundo, como que princípios fundamentais: desígnios de bem estar, de paz e de liberdade. Projetos de defesa de cada vida humana, de justiça e ação permanente contra a opressão e a mentira.

Seguir Jesus é acolher a mensagem que tem origem no próprio Deus, na sua bondade e sabedoria, viver e procurar dar testemunho de quanto Ele disse de Si: «caminho, verdade e vida». A crise do ruído que impede seguir aquele programa pode vencer-se ao criar espaços de silêncio para a contemplação e escuta, com a decisão generosa de fugir a caprichos e comodismos, e tomar a cruz do discípulo.

Se Jesus é a verdade e a vida, Ele também é luz que ajuda a vencer a confusão e a indiferença de muitos batizados que têm medo de Jesus, ou receiam as suas exigências, ignorando que a exigência de Cristo é a fonte da maior libertação e do maior encanto. O nosso encontro vivo com Nosso Senhor, a que a celebração eucarística dá forma, é motivo de alegria, de transfiguração, de novo entusiasmo por encontrar o tesouro que é Ele mesmo, a nossa riqueza.

A coragem do cristão é um sinal de força e de vida e a promessa de recompensa muito maior do que os sacrifícios exigidos. Sentir-se chamado a seguir Jesus é uma graça que nenhum batizado pode desprezar. Mais do que isso. É o momento de se interrogar: e como fazê-lo?

O bem estar que se procura não pode impedir a fidelidade da adesão ao Senhor que nos possui, para transformar a vida pessoal, e com ela transformar a história do nosso tempo. A revolução cristã não provoca vítimas. É a fonte da vida e da riqueza para todos, para a sociedade, para o nosso mundo. Como diz o Catecismo da Igreja Católica (294/299): “O mundo foi criado para glória de Deus” e a “Criação destina-se e orienta-se para o homem, imagem de Deus, chamado a uma relação pessoal com Deus”.

Um coração desprendido é um coração comprometido com o Senhor para a renovação da vida pessoal e comunitária. Muitos que têm responsabilidade na direção e no bem estar da sociedade civil dos tempos de hoje, são homens e mulheres que, presentes no coração do mundo, não se esquecem dos desígnios divinos.

Esta é a dimensão profética dos leigos em todos os estádios da sua relação com a Igreja. O cristão leigo não forma “clubinhos”, mas procura estar plenamente inserido na sociedade onde vive. O Concílio (LG 31) recorda o papel dos leigos quando lhes recomenda “procurar o sinal de Deus, tratando das coisas temporais e orientando-as em conformidade com Deus”.

Este pensamento vem lembrar-nos as contradições com que nos deparamos quando se fazem leis ou se tomam decisões que esquecem os desígnios de Deus na unidade fundamental da família constituída pelo matrimonio cristão, quando se divulgam sem qualquer recato perversões morais e escândalos e se esquece o direito á vida, ao bom nome, e se publica a desordem e os comportamentos incoerentes do ser humano.

Quantos cristãos sem modelos arrastam o peso tremendo do remorso, a psicose do mal estar, o sem sentido da vida, o drama da exclusão social porque esqueceram os desígnios de Deus e rejeitaram a cruz. O nosso ideal é Cristo. As suas exigências são favores, o seu seguimento é a felicidade. Ele é o caminho.



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