Homilia para a Missal Crismal 2018

 

 

Dom Antonio Carlos Rossi Keller

Bispo de Frederico Westphalen

Homilia para a Santa Missa Crismal

28 de março de 2018

“A vós a Graça e a Paz de Jesus Cristo, a testemunha fiel, o primogênito dentre os mortos o soberano entre os reis da terra” (Apocalipse 1,5).

Faço minhas, na fé e no afeto, esta invocação da graça e da paz de Jesus Cristo sobre toda a nossa Igreja Diocesana de Frederico Westphalen, com a mesma fé com a qual São João, apóstolo e evangelista, no versículo que acabamos de escutar, se dirige às sete Igrejas que estão na Ásia: ele, prisioneiro na ilha de Patmos por causa da Palavra de Deus e do testemunho de Jesus Cristo.

“A Graça e a Paz de Jesus” sobre vós, presbíteros desta Igreja, insubstituíveis e providenciais colaboradores do bispo no ministério ordenado. Particularmente venham a Graça e a Paz sobre os nossos padres enfermos, sobre aqueles que passam por algum tipo de dificuldade ou sofrimento.

Muito especialmente desejo esta Graça e esta Paz do Senhor para os nossos seminaristas e vocacionados, esperança viva de uma Igreja que crê e que cultiva as vocações para o Seminário, antes de tudo através da oração intensa de tantas pessoas.

Também sobre vós, diáconos, irmãos e irmãs religiosos e religiosas, e fiéis cristãos leigos desta amada Igreja Diocesana.

Todos nós, Igreja Santa de Frederico Westphalen, somos chamados a difundir no mundo, o bom odor de Cristo.

Nesta Missa, que o Bispo concelebra com o seu presbitério – na qual está igualmente prevista a “Renovação das Promessas Sacerdotais”, acontecerá a benção dos santos Óleos. É esta uma celebração litúrgica que manifesta plenamente e visivelmente a comunhão dos padres com seu bispo.

Normalmente, caros padres, o nosso dia a dia é complexo e fatigoso. Por isso, temos a necessidade, nesta noite, de uma recordação, de um “memorial” da nossa ordenação sacerdotal, ou seja, daquele momento no qual Deus, através de sua Igreja, na pessoa do bispo que impôs as mãos sobre nós, nos fez participantes do único sacerdócio de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Certamente nos comove e nos empenha, pessoalmente e como presbitério, condividir ainda uma vez com Jesus, o Bom Pastor, a consciência da sua e da nossa vocação, do dom do Espírito Santo que nós recebemos, dom de amor do Pai, como há pouco ouvimos das Sagradas Escrituras: “O Espírito do Senhor esta sobre mim: por isso ele me consagrou com a unção e me enviou anunciar aos pobres a alegre mensagem...” (Lucas 4,15).

No centro deste “memorial” da nossa ordenação está o gesto antiquíssimo da imposição das mãos.

Com este gesto da Igreja, o Senhor tomou posse de mim, de cada um de vós pessoalmente, dizendo-nos: “Tu me pertences”.

Mas com isso, também disse: “Tu, que estás sobre a proteção das minhas mãos, tu que estás guardado no côncavo de minhas mãos: dá-me as tuas mãos”. (cf Isaías 49,3).

Ao centro deste “memorial” da nossa ordenação, há também a unção crismal: as nossas mãos foram ungidas com o óleo que é o sinal do Espírito Santo e da sua força.

Mas por que propriamente as mãos?

A mão do homem é o instrumento de seu agir, é o símbolo da sua capacidade de enfrentar o mundo, justamente de “tomar nas mãos” a vida.

O Senhor nos impôs as mãos, e consagrou as nossas mãos com a unção, e quer agora as nossas mãos ungidas, para que o mundo, através de sua Graça e da nossa cooperação, torne-se seu.

Quer que não sejamos mais instrumentos para segurar as coisas, os homens, o mundo, para nós, para reduzi-lo a algo nosso, mas que, ao contrário, que nossas mãos transmitam o seu toque divino, pondo-nos a serviço do seu amor (cf. Bento XVI, Homilia da Santa Missa Crismal, 14 de abril de 2006).

O sentido desta Missa Crismal é o de fazer vir a graça de Deus na matéria que Ele mesmo escolheu: o óleo de oliveira, juntamente com o perfume, para comunicar a vida de Deus, o seu amor ao homem.

A Igreja, através destes sinais – entre os quais o pão e o vinho – continua a comunicar a vida de Deus, que acompanha o ser humano desde o nascimento até a morte.

À luz da Sagrada Escritura e dos significativos ritos que acompanham esta Sagrada Liturgia, bem como da “Missa in Coena Domini”, que celebrareis amanhã nas vossas Comunidades, desejo confirmar a Igreja de Deus que está em Frederico Westphalen no sentido de que a Eucaristia, que é o maior dom que podemos oferecer àqueles que Deus nos confiou, seja sempre e cada vez mais o centro da nossa vida pessoal, da vida de nossas Comunidades Paroquiais, da vida de cada cristão católico batizado.

É preciso nunca perder de vista que a Eucaristia, celebrada especialmente no Dia do Senhor, deve ocupar o lugar central de nossa vida ministerial e pastoral, como única fonte e como ponto de referência da nossa renovação, da nossa conversão pessoal e eclesial.

É preciso jamais de deixar de sensibilizar as nossas Comunidades e a nós mesmos para retornarmos continuamente ao centro da experiência cristã: o encontro com o Senhor Ressuscitado, no “sinal dos sinais”, a Eucaristia, particularmente celebrada no Dia do Senhor, na qual a Sua Palavra ilumina e a participação no único pão e no único cálice edifica a Comunidade cristã como Seu Corpo. Amemos sempre, queridos padres, querido povo de Deus, amemos sempre e cada vez mais a Missa, especialmente a Missa Dominical.

Este pode ser o dom que hoje, nesta Santa Missa Crismal, o bispo e seu presbitério, os seminaristas da Diocese, religiosos e demais consagrados e todo o povo fiel podemos suplicar ao Senhor: a capacidade de fazermos da Eucaristia, mistério central da fé, um mistério por nós “acreditado, celebrado e vivido”. Ou seja, pedirmos a Deus a graça de sermos livres do mal da esquizofrenia espiritual entre fé e vida, entre o que se celebra e o que se vive. Que Ele nos livre do mal da rotina que mata o amor. Que Ele nos faça enamorados da Missa, de cada Missa que nós celebrarmos junto a nosso povo.

Neste ano, gostaria de pedir a Deus três grandes graças especiais para os nossos padres.  

Peçamos a graça de exercermos um ministério de intercessão.

Neste sentido, esta unidade entre Eucaristia e vida nos fará, especialmente a nós, padres e bispo a sermos “ministros intercessores”.

Exercendo o ministério cotidianamente, através da oração e do específico empenho pastoral no exercício de um ministério de intercessão pelo povo que Deus nos confiou.

No humilde trabalho quotidiano a nós confiado, diante da “sarça ardente” que é a Eucaristia, no silêncio de nossas Igrejas, como “pequenos e grandes Moisés”, que intercedem por um povo “em ordem de batalha” e que conta com inumeráveis feridos: jovens perdidos na vida, anciãos na mais absoluta solidão, casais sofredores, com suas famílias vivendo crises profundas, enfermos sem nenhuma esperança, gente que está cansada, desnorteada, sem rumo na própria vida. Tanta gente precisa de nós e de nossa oração junto a Jesus na Eucaristia. Jamais faltemos com a nossa oração constante pelas necessidades de nossos irmãos.

Peçamos a graça de exercermos um ministério de acolhida.

Que sejamos homens acolhedores, como padres. Uma acolhida com o coração e os sentimentos de Jesus, Bom Pastor, que não se confunde com uma atitude de simples boa educação formal, ou de um compromisso de diluir a verdade do Evangelho, para ser politicamente corretos, pagando o preço de facilitar a verdade do anúncio do Evangelho.

O nosso ministério de acolhida deve ser cultivado, antes de tudo, longamente na escuta orante da Palavra de Deus, que nos conduz a olhar e acolher o outro como Cristo que hoje vem a nosso encontro com estas “vestes”: dos pais que pedem os sacramentos para os filhos, mas não desejam fazer um caminho de fé junto a eles; das comunidades que pedem “serviços religiosos”, mas não desejam mudar suas atitudes muitas vezes marcadas pelo paganismo, por costumes não mais condizentes com a verdadeira fé.

Abramos não só as portas de nossas Igrejas, se possível mesmo nos dias de semana, para que até mesmo de forma gráfica, possamos nos mostrar mais acolhedores com todos, mas antes de tudo, abramos de verdade nossos corações de pastores, dispostos a amar entregando nossa vida, nossos dias pelo bem deste povo que Deus nos confiou.

Peçamos a graça de exercermos um ministério missionário.

A pastoral ordinária, o nosso dia a dia de pastores do povo de Deus, pode ser para nós, padres, ocasião de cansaço físico e espiritual. Mas não podemos jamais esquecer que o “dia a dia” é o lugar por onde passa a fecundidade salvífica da cruz que, se acolhida com amor, é o caminho mais importante que deve nortear nossa vida, o da “santidade no cotidiano”. Assim, nosso desafio pastoral será sempre o de nos colocar em religiosa escuta do Senhor, e nos colocar à disposição, a cada dia, para qualificar nosso ministério pastoral do desejo de ir ao encontro de todos, levando aos de dentro e aos de fora, a feliz mensagem da salvação, brotada do Coração de Jesus.

Vele a pena lembrar as palavras do Beato Paulo VI a um grupo de novos sacerdotes de Milão:

“Meus filhinhos, se quereis tornar fácil o vosso ministério, mas ao mesmo tempo traí-lo, dispensai-vos do buscar os outros, e ficai tão somente esperando que os homens venham vos buscar...”.

Estes “perdidos”, nos dias de hoje, tomam o nome e o vulto dos cada vez mais numerosos homens e mulheres que vivem em situações irregulares, que vivem longe de nossas celebrações, alguns deles envenenados por preconceitos adquiridos através do contato de quem tem verdadeiro ódio a Cristo e à sua Igreja, outros colocados à margem da sociedade e da Igreja pela pobreza, pelo descaso das autoridades públicas, pelas doenças e tantos outros males.

Exatamente estes irmãos e irmãs nos interpelam, a nós e às nossas Comunidades a termos um vulto missionário. Ou seja, a irmos ao encontro de suas realidades com a riqueza reconstrutora do Evangelho de Jesus.

O nosso anúncio missionário será sempre credível e eficaz se propuser a identidade cristã na sua integralidade: conteúdos precisos e claros e uma profunda atitude de caridade evangélica.

Queridos padres!

Neste dia, em que voltamos às raízes mais profundas de nosso Ministério ordenado, há muitos ou há poucos anos, não importa, peçamos esta graça a Cristo, Pastor dos Pastores:

+ a graça de sermos padres intercessores,

+ a graça de sermos padres acolhedores,

+ a graça de sermos padres missionários.

“Configurados ao Cristo, Sumo e eterno sacerdote, unidos ao sacerdócio dos Bispos, sereis consagrados verdadeiros sacerdotes da Nova Aliança para pregar o Evangelho, apascentar o povo de Deus e celebrar o culto divino, principalmente no Sacrifício do Senhor”.

Assim diz a Homilia Ritual da Ordenação presbiteral, sobre a nossa missão fundamental.

Caros padres, Deus vos abençoe cada vez mais e faça de vós instrumentos eficazes para a santificação de seu povo.

Parabéns pelo dia de hoje!

Contem sempre com o amor, o afeto e as orações de todo o Povo de Deus desta Diocese, que os ama e os respeita.


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