Homilia para a Missa Crismal de 2017

Irmãos fiéis cristãos leigos, aqui reunidos em nossa Catedral Diocesana, queridos padres, amados seminaristas, religiosos e religiosas, consagrados, irmãos que nos acompanham pela rádio Luz e Alegria e pela FWTV,

A celebração desta noite é chamada justamente de Missa Crismal, ou Missa dos Santos Óleos. De fato, nesta Missa serão abençoados o óleo do Batismo, o óleo dos enfermos e será consagrado o Santo Crisma, este último para os sacramentos do Batismo, da Confirmação e da Ordem.

O óleo, portanto é o protagonista desta nossa Celebração Eucarística de hoje, não entendido no sentido alimentar como normalmente o é para nós, mas óleo usado como unção, que fortifica, dá beleza, agilidade e força, que faz resplandecer o corpo ungido e é balsamo, medicina para as feridas. Os óleos santos, portanto, são destinados à unção da cabeça, da fronte, do peito e das mãos.

Tanto a primeira Leitura, tirada do capítulo 61 do Livro do Profeta Isaías como o Santo Evangelho, tirado de São Lucas falam da unção com o óleo como de uma consagração, que através do poder do Espírito Santo, transforma e habilita para a Missão, uma Missão de salvação e de misericórdia.

A segunda Leitura, tirada do capítulo 1º do Livro do Apocalipse de São João, nos fala de Jesus o Cristo, o Messias ungido e consagrado pelo Senhor, o alfa e o ômega da história, Aquele que é, que era e que vem e que, de sua parte, nos consagrou como um povo sacerdotal, para a glória do Pai e para a salvação da humanidade.

Óleo, portanto, que é o sinal sacramental de duas realidades: a consagração e a missão.

Sobretudo, de consagração. Ou seja, sinal do absorvimento pleno da pessoa no amor do Senhor, para o serviço do Reino de Deus. O óleo impregna, mancha, como se diz, em um modo todo particular, porque a sua estrutura consegue a penetrar nos poros da pele e no interior das coisas. Não só recobre, mas penetra, e podemos dizer que chega a transformar a superfície ungida, misturando-se totalmente. Neste sentido, significa a consagração da pessoa, a total atribuição e a completa destinação da pessoa a Deus para o cumprimento da missão.

O óleo, neste primeiro significado, nos recorda que a nossa vida pertence a Deus, o qual com seu amor misericordioso veio ao nosso encontro, nos perdoou e continua a perdoar-nos, fazendo-nos entrar na condição de filhos muito amados. Esta é uma verdade para cada cristão, por força do Batismo e da Santa Confirmação. Para nós, sacerdotes e para o bispo, é uma verdade de modo particular, pela recepção do Sacramento da Ordem Sagrada.

Lembrar-nos desta nossa santa unção, quer dizer lembrar-nos do amor sem limites de Deus em relação a cada um de nós. Significa saber-se enfaixados por sua misericórdia, que nos envolve totalmente. Agradecidos ao Senhor por isto, queremos porém rezar para que ainda desça sobre nós a cada dia o óleo da misericórdia de Deus, para que sejamos completamente conquistados e para que este óleo verdadeiramente nos transforme.

Sinal de consagração, mas também sinal de missão. É assim este óleo. Nos faz pensar àquilo que o Senhor nos confiou: uma missão de amor e de misericórdia. O óleo tem esta propriedade: de tirar a rugosidade das coisas, de tornar maleável a articulação dos mecanismos, permitindo a superação do atrito. Podemos, portanto dizer de termos sido enviados a “ungir” com o óleo da alegria que é o Cristo Senhor, para que cada ser humano conheça o amor verdadeiro e seja, de sua vez, capaz de amar. A unção para a qual somos chamados a realizar representa a missão da Igreja e do cristão no mundo. Tal missão consiste no “ungir” o mundo de Cristo, no “ungir” com a santa unção a todos os nossos irmãos, fazendo descer abundantemente o óleo da misericórdia e da consolação dentro da sociedade de hoje, em nosso contexto social, para que tudo isto se renove e se torne capaz de acolher a mensagem do amor e da misericórdia de Deus, revelados em Jesus Cristo, Senhor nosso. Este é o nosso trabalho, o nosso empenho e a nossa preocupação.

Caríssimos filhos, vivemos hoje uma triste realidade, a realidade de uma sociedade violenta e terrível. Os ânimos estão acesos, barbarizados, amedrontados a tal ponto de reagir com um clique e sem nenhum controle ao menor sinal de perigo, mesmo que seja um perigo tão somente imaginado. As crises econômicas e sociais, a incerteza do futuro, colocam à dura prova a vida de muitos irmãos. As injustiças sociais, a pobreza extrema, a instabilidade afetiva e as deturpações em relação ao amor humano, os ataques sofridos pela família e pela vida ainda não nascida, torna este mundo uma terra de ódios e de lutas que visam sustentar princípios e atitudes que contrariam a vontade de Deus. O terrorismo, atroz e imprevisível leva povos inteiros a olhar com suspeita aqueles que tem raça e cultura diferentes. O martelante e asfixiante circuito midiático, unido à incessante apresentação de uma felicidade de mercado, de consumo, de aparências enchem as mentes e as almas de vazio e de desejos ilusórios. Aumentam assim as frustrações e os ressentimentos, enquanto cresce nas novas gerações o desejo de simplesmente destruir tudo, inclusive o que é bom e o que é querido por Deus.

Nestes tempos amargos e ásperos, em um mundo lacerado pelas divisões e contendas, pelas prepotências e injustiças, nós cristãos e, principalmente os sacerdotes, somos chamados a derramar o óleo da compaixão e da misericórdia, o óleo do amor e da mansidão.

Sim, caríssimos filhos, esta é a nossa missão neste momento da História humana. Esta é a atitude profética nestes terríveis tempos que vivemos: derramar o óleo da alegria.

O óleo do trabalho humilde e silencioso, mas bem feito, realizado por amor e com amor;

O óleo da compreensão cheia de simpatia pelos demais;

O óleo da humildade e da simplicidade;

O óleo do perdão;

O óleo da oração pelos demais;

O óleo do sorriso e do diálogo e da disponibilidade simples e quotidiana;

O óleo do sentido de responsabilidade por cada palavra que se diz e por cada gesto que se faz.

E tudo isto, caríssimos filhos, nos é pedido de fazer a partir de nós padres. Em tudo isto, devemos ser os primeiros. Antes de tudo entre nós: o primeiro “próximo” a ser amado pelo bispo são seus padres e seus seminaristas. E para os padres e seminaristas, o primeiro “próximo” são seus coirmãos de presbitério e de seminário.

Amados filhos, a bênção dos três óleos santos nos recordam bem este nosso ministério de “unção”, que nos foi confiado para o bem de toda a Igreja de Cristo e para o bem e a salvação do mundo.

  • Com o óleo dos enfermos somos chamados a levar conforto a quantos estão enfermos no corpo, na alma e no espírito, para que sejam libertados de toda doença, angústia e dor.
  • Com o óleo dos catecúmenos devemos fazer-nos próximos a cada irmão que busca a verdade, para que compreenda mais profundamente o Evangelho de Cristo, conheça a beleza da vida cristã e a alegria de renascer e de viver na Igreja de Cristo.
  • Com o óleo santo do Crisma, somos chamados a fazer com que cada discípulo do Senhor espalhe ao redor de si o perfume de uma vida santa e cumpra em sí o desígnio do Pai. Que sua vida íntegra e pura seja em tudo conforme à grande dignidade que o reveste como rei, sacerdote e profeta.

Funções sacerdotais estas, a nós, presbíteros, diáconos e bispo, confiadas de modo particular e às quais devemos dedicar-nos com generosidade.

Mas todos, a todos os batizados: presbíteros, fiéis cristãos leigos, religiosos e consagrados, é confiada a missão de ungir nossos irmãos com a unção do amor de Cristo. Busquemos pois, Igreja Santa de Frederico Westphalen, todos juntos, de nos empenharmos a fundo em levar o alegre anúncio aos pobres, a enfaixar as chagas dos corações despedaçados. A consolar todos os aflitos, dar a todos o óleo da alegria.

Muito especialmente, junto aos santos óleos que levaremos para as nossas Paróquias, hoje nos será oficialmente entregue o XIV PLANO DE AÇÃO EVANGELIZADORA de nossa Diocese. Um instrumento de trabalho para que nossa Igreja Diocesana possa, conjuntamente, ser uma Igreja que unge no amor a todos os nossos irmãos.

Nesta santa celebração, agradecemos a Deus também pelo jubileu sacerdotal de 25 anos de ordenação presbiteral de nossos irmãos Côn. Paulo Kempka e Pe. Ilário Barbieri. Deus os abençoe especialmente.

A todos desejo uma Santa e Feliz Páscoa da Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo.



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