Homilia para a Missa Crismal de 2011

Irmãos e irmãs

Religiosos e religiosas

Seminaristas de nossa Diocese

Queridos Padres

 

Reunimo-nos mais uma vez na nossa Catedral para a concelebração nesta Missa Crismal, em que renovamos as nossas promessas sacerdotais e damos abundantes graças ao Senhor pelo Ministério Ordenado que nos foi entregue para bem de todo o Povo de Deus.

O Senhor Jesus, único e eterno Sacerdote, Cabeça e Pastor da Igreja, convida-nos hoje para um especial olhar de contemplação sobre o Seu Sacerdócio e, nele e a partir dele, para redescobrirmos a maravilha do nosso Ministério ligado ao Sacramento da Ordem.

Porque este sacramento faz de cada um de nós presença viva de Cristo na Igreja e no mundo, ele é fonte de grande dignidade, mas também de muita responsabilidade. A nossa dignidade sacerdotal temos sempre de aferi-la pela dignidade do mesmo Jesus Cristo, que não veio para ser servido, mas para servir e dar a vida pela Sua Igreja e pela salvação da Humanidade.

A nossa responsabilidade de padres identificados com Cristo Cabeça e Pastor do Seu Povo, deve ser entendida principalmente a partir daquela relação única que Cristo estabeleceu com os doze, na Última Ceia. Deu-lhes o Mandamento do Amor, mas deu-lhes, sobretudo o memorial do acontecimento redentor, com o mandato de o repetirem até ao fim dos tempos.

Nós sentimo-nos incluídos neste mandato e por isso celebramos a Eucaristia com a certeza de que Jesus Cristo, em cada um de nós e através de cada um de nós, quer perpetuar a sua presença visível e a Sua ação salvadora em favor da Igreja e da Humanidade até ao fim dos tempos. Também a partir do que se passou na Última Ceia sentimos que a dignidade e a responsabilidade de sermos padres na Igreja não a vivemos isoladamente, mas em Presbitério. Porque Jesus, na Última Ceia dirigiu-se ao Colégio dos doze e hoje se dirige ao Presbitério que nós somos e manda-nos cuidar desta porção do Povo de Deus que é a nossa Diocese.

Escutamos hoje, na Palavra de Deus proclamada, o Profeta Isaías a falar do Ungido do Senhor, cheio do Espírito Santo e enviado para anunciar a Boa Nova aos infelizes, para proclamar a libertação dos prisioneiros, cuidar dos corações amargurados e, sobretudo promulgar o ano da graça do Senhor.

Este Ungido de Deus e enviado ao mundo com a plenitude do dom do Espírito Santo para proclamar um ano de graça do Senhor e assim abrir as portas à renovação de todo o gênero humano, é Jesus Cristo, como nos diz hoje mesmo o Evangelho de S. Lucas.

Jesus Cristo, que o Livro do Apocalipse nos apresenta hoje como o Alfa e o Omega, como o Senhor do Universo, é também o único Senhor das nossas vidas de padres, a quem Ele continua a confiar o Seu único Sacerdócio para construção da Igreja e serviço de toda a comunidade humana.

Hoje, ao renovarmos as nossas promessas sacerdotais, queremos principalmente dizer-lhe do nosso desejo de aprofundar a união e a configuração com Ele, renunciando a nós mesmos e aos nossos interesses. Queremos dizer-lhe da nossa total disponibilidade para colaborar com Ele na distribuição dos Santos Mistérios por todo o Povo de Deus, tanto na celebração dos sacramentos como no anúncio da Palavra, nunca movidos por qualquer interesse material, mas tão só pelo zelo das almas.

Juntamente com esta generosa disponibilidade para dar cumprimento ao mandato de Cristo que nos confia o seu único sacerdócio, precisamos cuidar dos meios indispensáveis e entre eles está a nossa saúde física e espiritual. A saúde é um dom de Deus e um bem fundamental que temos de agradecer ao Senhor e cuidá-lo com esmero. De fato, nós precisamos de saúde física, mas também precisamos de saúde interior que se fundamenta em boas relações e num forte equilíbrio afetivo; precisamos de saúde espiritual e principalmente da saúde sobrenatural que repousa na abertura do coração a Deus e à certeza de que só agindo na profunda comunhão com a pessoa de Cristo, - “in persona Christi” - é que podemos levar adiante o exercício do nosso ministério. Por isso, uma séria espiritualidade sacerdotal é o único caminho pelo qual ficará garantido o equilíbrio, o entusiasmo e mesmo a eficácia do nosso trabalho.

A nossa espiritualidade sacerdotal se fundamenta no exercício do Ministério e na chamada Caridade Pastoral; mas, para que a espiritualidade sacerdotal se mantenha viva, é necessário usar os meios específicos, entre os quais está o retiro anual, as reuniões organizadas em tempos fortes, mas também o hábito de, com freqüência, nós sacerdotes nos encontrarmos para a formação, para o diálogo fraterno, para a direção espiritual, para o estudo e para a oração em comum.

Quero incentivar, neste dia os Grupos de vida, que vão surgindo entre os padres. Quando as nossas comunidades paroquiais souberem que o seu Pároco se encontra ausente porque está participando em um retiro ou em uma reunião espiritual ou em qualquer ação de formação e oração com outros sacerdotes, não apenas ficarão tranqüilas, mas passarão a ficar agradecidas. Esta é a convicção que eu pessoalmente tenho e desejo manifestar-vos neste momento.

Enquanto Ministros do Povo de Deus somos também educadores da Fé e das novas formas em que ela deve ser vivida e celebrada. Estamos vivendo um tempo especial: o cinqüentenário da Diocese e a celebração do 1º Sínodo Diocesano. Ora, eu sinto que, em horas de mudança como aquelas que estamos vivendo, não é sempre fácil abrir as nossas comunidades, agarradas como estão às vezes aos costumes, ao que sempre se fez, às tradições, para as diferenças dos novos tempos. Entre essas diferenças está a necessidade de hoje, mais do que no passado, sermos uma Igreja de Comunhão em Missão, como nos desafia o Lema de nosso Ano Jubilar e de nosso Sínodo. É exatamente aquilo que o Documento de Aparecida ensina sobre a chamada “conversão pastoral”.

Acrescente-se a necessidade de os agentes pastorais, a começar por nós sacerdotes, aceitarem cooperar responsavelmente, sobretudo na busca do discernimento dos novos caminhos. Irmãos padres, saibamos aproveitar este período sinodal para uma intensa renovação pessoal e pastoral.

Caros irmãos padres, tivemos a oportunidade de viver, no ano passado, um Ano Sacerdotal. Nele ouvimos o apelo do Santo Padre Bento XVI para colocarmos em nossas vidas o exemplo do Santo Cura d’Ars e nos animarmos com um lema que deve ser uma constante em nossas vidas: “Fidelidade de Cristo, fidelidade do Sacerdote”.

É a celebrar esta Fidelidade do Sacerdote segundo o modelo da Fidelidade de Cristo que nós nos reunimos aqui, para esta solene concelebração e também, hoje queremos dar especiais graças a Deus pelos sacerdotes do nosso Presbitério que cumprem datas jubilares de 25 anos e 50 anos de Ministério ordenado, neste ano:

Pe. João Ferrari Mânfio, pároco de São José de Constantina, que completa 50 anos de ordenação sacerdotal, no dia 09 de julho.

Côn. Leonir Agostinho Fainello, pároco da Catedral Santo Antonio de Frederico Westphalen;

Pe. Alexander Mello Jaeger, reitor do Seminário de Teologia “Dom Bruno Maldaner”

Ambos completam 25 anos de ordenação sacerdotal no dia 29 de junho.

Que Deus abençoe especialmente estes nossos queridos irmãos padres.

Que Deus abençoe todos os nossos padres.

Que Deus abençoe também nossos seminaristas, e nos dê muitas e santas vocações para o sacerdócio.

Amém!

 



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