Domingo da Santíssima Trindade;Artigo de Dom Antonio Carlos Rossi Keller

Domingo da Santíssima Trindade

 

Este domingo está colocado depois das festas da Páscoa: isso pode ajudar-nos a perceber que só através da vida de Jesus Cristo é que chegamos ao conhecimento da Santíssima Trindade. Não conhecemos este mistério de Deus pela filosofia, mas unicamente pela obra de Jesus. Por outro lado, a fato de esta festa da Santíssima Trindade estar recomeço do Tempo Comum deve ajudar a compreender que a Santíssima Trindade é a fonte primeira e o fim último de toda a história do mundo e da nossa vida humana.

Sem os fatos históricos passados com Jesus e as palavras ouvidas na Anunciação do Anjo, no Batismo no Jordão, na Transfiguração no Tabor, na última Ceia, na ordem final de Jesus de batizar todos os povos em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo», nunca poderíamos chegar ao conhecimento do mistério íntimo de Deus Teríamos ficado na fé em um só Deus, sem mais explicações, como acontece com os Judeus e os Muçulmanos. O mistério da Santíssima Trindade é especificamente cristão e define a nossa fé. As palavras de Jesus, mantendo rigorosamente a fé num só Deus, deram-nos a conhecer um pouco do mistério íntimo de Deus. Dizemos que Deus é comunidade, que é família, que «há em Deus três pessoas».

A Bíblia, porém, não pretende explicar o mistério íntimo de Deus, até porque isso seria impossível para nós, mas revela somente o que Deus fez por nós e é, nessa ação salvadora, que percebemos a existência de cada uma das pessoas divinas (Catecismo da Igreja Católica n.236):

Deus é chamado Pai enquanto criador do mundo e, mais ainda, enquanto acompanha a história do mundo com uma ternura que podemos dizer de pai e de mãe (Catecismo da Igreja, n. 238 e 239). Jesus revelou ainda que Deus é Pai num sentido íntimo e inédito: é Pai de Jesus num sentido único, e Jesus é Filho de modo único (Catecismo da Igreja, n.240). Antes da sua Páscoa, Jesus anuncia o envio de um «outro» Consolador, o Espírito, como outra pessoa divina em relação ao Pai e ao Filho. E esse envio, após a glorificação de Jesus, revela em plenitude o mistério da Santíssima Trindade (Catecismo da Igreja n. 240-244). A Igreja explica que o Pai, o Filho e o Espírito Santo não são três princípios das criaturas, mas um só princípio (Concílio de Florença em 1442). No entanto, cada pessoa divina realiza a obra comum segundo a sua propriedade pessoal (Catecismo da Igreja Católica n. 258).

No decurso dos primeiros séculos, a Igreja preocupou-se com formular mais explicitamente a fé trinitária, tanto para aprofundar a sua inteligência como para defendê-la contra os ataques que a deformavam. Para a formulação do dogma da Trindade reuniu concílios e teve de empregar palavras da cultura humana, tais como «substância», «pessoa», «relação», «essência» e «natureza». É uma linguagem técnica, fria, mas que foi necessária naquele tempo e ainda hoje é útil essa linguagem vai usar-se no prefácio da missa de hoje,

O termo «Trindade» nunca foi usado por Jesus, nem parece na Bíblia, tal como não aparece a palavra «Missa», nem a palavra sustância nem a palavra natureza. A Bíblia usa claramente as palavras Pai, Filho e Espírito Santo, e de cada uma diz sempre «o» Pai, «o» Filho, «o» Espírito Santo. Foi assim que Jesus ordenou aos Apóstolos: ide por todo o mundo e batizai «em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo».

Nesta celebração do dia de hoje, o importante é entender que a vida cristã consiste em buscar sempre a comunhão com a Santíssima Trindade. Aí está a essência da vida cristã de qualidade. 



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