A nossa pátria está nos céus; Artigo de Dom Antonio Carlos Rossi Keller

A nossa pátria está nos céus

 

A Quaresma é tempo de renovação da nossa vida cristã. A Santa Igreja anima-nos a pensar no Céu. Faz bem imaginar a maravilha que nos espera um dia no final da nossa vida. Não fomos feitos para ficar para sempre na terra. As coisas deste mundo não podem dar-nos a verdadeira felicidade, mas o demônio não deixa de querer enganar-nos, como escutávamos no passado domingo.

São Paulo, na 2ª Leitura deste Domingo (Filipenses 3,17. 4,1), nos diz que “Há muitos de quem tenho falado várias vezes e agora falo com lágrimas nos olhos que procedem como inimigos da cruz de Cristo. O fim deles é a perdição: têm por deus o ventre, orgulham-se da sua vergonha e só apreciam as coisas terrenas”.

Avivemos o desejo de chegar à felicidade maravilhosa que nos espera se formos fiéis. “Espero vir a contemplar a face do Senhor na terra dos vivos” - cantávamos no salmo. E dizíamos também: “A vossa face Senhor eu procuro”. No Céu iremos contemplar a face de Deus, vê-lo com Ele é. Com o Evangelho da Transfiguração do Senhor (Lucas 9,28b-36) a Santa Igreja faz-nos vislumbrar a maravilha da visão de Deus que nos há de encher de alegria.

Os apóstolos ficaram maravilhados ao contemplar uma amostra do Céu, vendo a Jesus transfigurado: “alterou-se o aspecto do Seu rosto e as Suas vestes ficaram de uma brancura refulgente”. Através do véu da Sua humanidade podem vislumbrar algo da Sua divindade e isso os torna imensamente felizes. Já não desejam mais nada senão ficar ali para sempre. Jesus queria deste modo, prepará-los para o embate da Sua paixão e morte e fortalecê-los para o escândalo da cruz.

A transfiguração de Jesus faz-nos compreender um pouco da vida da graça em nossa alma. Pelo batismo tornamo-nos participantes da natureza divina - diz São Pedro em uma das suas Cartas. Unidos a Jesus pelo Batismo participamos da vida de Jesus. São João diz-nos que um dia se manifestará o que anda escondido em nossa alma ao vermos a Deus como Ele é. Se pudéssemos ver a nossa alma em estado de graça imaginaríamos ver o próprio Deus.

Não podemos deixar de estimar este tesouro maravilhoso que anda escondido em nós, agradecê-lo a Deus e defendê-lo de todos os perigos. O pecado mortal é o maior inimigo e é muito fácil cair nele. É preciso pedir a Jesus sempre que nos livre de cair nessa desgraça. No ambiente em que vivemos não se dá muita importância ao pecado. Muitos pensam até que são coisas já ultrapassadas.

Com a Quaresma a Santa Igreja quer avivar em nosso coração o horror ao pecado e o desejo de levar uma vida de santidade com Cristo. Olhemos para Jesus e para os santos e avivemos o desejo de nos parecermos com eles em nosso viver e de crescer na vida da graça. A Quaresma é tempo para renovar a nossa vida sobrenatural, amando e crescendo na vida nova que Cristo nos alcançou com a Sua Paixão e Morte.

As exigências em relação às políticas públicas que beneficiem os mais excluídos são expressões de nosso desejo e da nossa participação social em apagar a nódoa, as manchas da desfiguração que marcam a vida de tantos irmãos e irmãs nossas.



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