Artigo semanal de Dom Antonio Carlos: Feliz o homem que pôs a sua esperança no Senhor

Feliz o homem que pôs a sua esperança no Senhor

 

Criado à imagem e semelhança de Deus, o homem é dotado de inteligência, vontade e liberdade. É assim o rei da criação. Os sucessos ou fracassos da vida humana dependerão da boa ou má utilização destas dádivas maravilhosas. Existem homens que nascidos de famílias carentes se tornaram possuidores de grandes riquezas e outros oriundos de famílias ricas acabaram por ficar reduzidos à extrema miséria. O que se verifica nos bens materiais, pode verificar-se também nos espirituais.

Deus, nosso Pai, que é onipotente e nos ama com Amor infinito, criou-nos para a felicidade. Tem mesmo um projeto de amor e por isso portador de felicidade, para cada um de nós. Descobrir e seguir esse projeto é acertar com o melhor «negócio» que podemos realizar na vida. A fé, confirmada pela experiência, diz-nos que felicidade é sinónimo de santidade, isto é, seremos tanto mais felizes quanto mais santos. Os projetos de Deus a nosso respeito são, pois, projetos de santidade.

O Profeta Jeremias, na 1ª Leitura (Jeremias 17,5-8) ao afirmar «maldito o homem que confia noutro homem», chama a nossa atenção para não pormos confiança exclusiva nos valores propostos pelos homens. Os sucessos terrenos tais como o dinheiro e as glórias deste mundo soam a falso. Foi uma reflexão sobre essa falsidade que modificou de uma forma radical vidas como as de Santo Agostinho, São Francisco de Assis, Santo Inácio de Loyola, São Francisco Xavier e tantos outros. Com as corajosas e acertadas opções que então fizeram, passaram a experimentar já nesta vida a verdadeira liberdade e grande felicidade. Suas vidas passaram a experimentar segurança, alegria e bem-estar semelhante à da «árvore plantada à beira da água que nada tem a temer... e não deixa de produzir os seus frutos».

No Evangelho (Lucas 6,17.20-26) Jesus diz claramente que o projeto que nos propõe passa pelas bem-aventuranças: «Bem-aventurados vós, os pobres, os que agora tendes fome, os que chorais... alegrai-vos porque é grande no Céu a vossa recompensa». É dentro desta lógica divina que devemos encarar com serenidade, realismo e aceitação as nossas limitações e dificuldades. Tudo se pode e deve transformar em grande riqueza. A dor, além de passageira, tem repercussões de eternidade. Os sofrimentos tornar-se-ão mesmo menos dolorosos na medida em que forem aceitos com resignação, e expiação pelos pecados do mundo. Sofrer por amor é já sofrer menos. O Senhor por todos morreu, a todos quer salvar.

Fomos criados para sermos felizes no tempo e por toda a eternidade. A ressurreição de Jesus, como nos lembra São Paulo na segunda leitura da Missa de hoje (1 Coríntios 15,12.16-20) é garantia da nossa própria ressurreição. «Cristo ressuscitou dos mortos, como primícias dos que morreram». Partiremos para essa pátria eterna com mais ou menos merecimentos conforme soubemos viver estes sempre breves dias da vida.

Cada vez mais conscientes do real valor da vida e da precariedade das criaturas, vamos aceitar com generosidade o projeto que Deus, na Sua misericórdia infinita, sonhou para cada um de nós, ainda que tal tenha que passar pelos caminhos da doença e do sofrimento. Faremos assim a melhor opção da vida. Só assim é possível não nos deixarmos enganar pelas propostas, por vezes aliciantes, que o mundo nos queira apresentar. Jesus, Caminho, Verdade e Vida indica-nos os caminhos das bem-aventuranças. Confiemos n’Ele. Seguindo as Suas propostas, amaremos a Deus sobre todas as coisas e os irmãos, pelo Seu amor. Confiados na Sua misericórdia infinita, da qual sempre precisamos, chegaremos à pátria eterna, onde poderemos proclamar com alegria, com todos os bem-aventurados «Feliz o homem que pôs a sua esperança no Senhor».



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