O Batismo de Jesus e o nosso Batismo.Artigo semanal de Dom Antonio Carlos Rossi Keller

O Batismo de Jesus e o nosso Batismo.

 

No momento em que Jesus sai das águas do rio Jordão, depois de ter sido batizado por João Batista, dá-se uma teofania, isto é, uma manifestação solene da divindade de Jesus.

São Lucas, no texto do Evangelho de hoje (Lucas 3,15-16.21-22), descreve-a e anima-nos a refletir sobre o que aconteceu no momento do nosso Batismo. Salvas as distâncias, aconteceu o mesmo.

Foi uma manifestação clara e solene da divindade de Jesus. Mas há também uma significação para nós. Com o pecado dos nossos primeiros pais, cujas consequências nós herdamos, o Céu ficou fechado para nós, de modo que não poderíamos jamais alcança-lo.

Quando somos batizados o Céu reabre-se. Se uma pessoa morresse imediatamente a seguir ao seu batismo, sem ter cometido qualquer falta, iria direito para lá.

Além disso, todas as boas obras que praticamos – no trabalho, na oração, no cuidado da família, no convívio com as outras pessoas – são meritórias e acumulam tesouros de merecimentos para o Céu.

O “abrir-se o céu” pode ainda significar que, no Batismo, recebemos a virtude infusa da fé, de tal modo que participamos da ciência do céu, desde o nosso Batismo. A fé é um imenso dom que recebemos do Senhor.

Desde o momento em que fomos batizados, tornamo-nos sacrário do Espírito Santo e templos da Santíssima Trindade.

Deus habita em nós pela Graça, como num templo, inspira-nos, conforta-nos e guia-nos no caminho da santidade.

A pessoa humana, seja ela quem for, mesmo quando não tem respeito por si própria deve ser tratada por nós com todo o respeito: no olhar, nas palavras, nas atitudes.

Quando uma pessoa morre, a Igreja promove uma solene celebração em que se sufraga a alma, mas também se presta honras ao corpo, tratando-o com todo o respeito e venerando-o, porque foi, durante a vida, um templo do Espírito Santo.

“Quantas pessoas – escreveu um autor espiritual – hão de soltar um grito de assombro, na outra vida, ao descobrirem a maravilha que habitou neles!”

Somos filhos de Deus: não “naturais”, porque não somos deuses, mas também não só adotivos. Participamos da natureza divina, como nos ensina o Apóstolo São Pedro e o Pai diz a cada um de nós as mesmas palavras que disse a Jesus no batismo do Jordão.

Deus trata-nos como o melhor dos pais e pede a cada um de nós que se conduza como o melhor dos filhos. Somos chamados a viver uma vida íntima com Deus na terra e eternamente no Céu. É esta a maravilha da vocação cristã.

Deus ama-nos tanto que nos deu o Seu Filho Unigénito para nos salvar. Foi por amor que Ele morreu numa Cruz para nos salvar.

Esta generosidade do Senhor renova-se cada dia na Santa Missa. Nela nos é repartido o Pão da Palavra e o Pão da Eucaristia.

Que Nossa Senhora nos ensine e ajude a viver generosamente com alegria a nossa filiação divina.



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