Papa aos Mercedários: levem aos descartados a ternura e a misericórdia de Deus

"Seguir Jesus não é uma questão de metodologia, mas de deixar que Ele nos preceda e marque o ritmo de nossa caminhada pessoal e comunitária”, disse Francisco à Ordem de Nossa Senhora das Mercês, nesta quinta-feira.

Mariangela Jaguraba - Cidade do Vaticano

“Um tempo de graça em que vocês tiveram a oportunidade de experimentar o amor misericordioso de Deus no caminho percorrido, examinar o presente e estabelecer diretrizes a fim de prosseguir com espírito renovado.”

São as palavras do Papa Francisco proferidas, nesta quinta-feira (06/12), na Sala Clementina, no Vaticano, durante a audiência aos membros da Ordem de Nossa Senhora das Mercês, por ocasião do oitavo centenário de sua fundação.

“Sabemos a importância da sequela de Cristo, porém, às vezes, ao invés de segui-lo, planejamos a nossa vida como se fosse Ele a ter de nos seguir e se adequar aos planos e projetos que fazemos e criamos”, disse o Pontífice.

Atualidade do carisma mercedário

Para Francisco, “seguir Jesus não é uma questão de metodologia, mas de deixar que Ele nos preceda e marque o ritmo de nossa caminhada pessoal e comunitária”.

“O carisma mercedário é atual. É chamado a deixar-se interpelar pelos novos campos de ação e ‘serviço redentor’, como a promoção da dignidade da pessoa humana, a prevenção de escravidões físicas ou espirituais, o acompanhamento e reinserção dos vulneráveis de nossa sociedade. A família Mercedária, consagrados e leigos, precisa deixar-se inspirar pela ‘criatividade de Deus’ mesmo quando isso significa romper os próprios esquemas que, com o tempo, foram acrescentados ao carisma do fundador.”

Segundo o Papa, quem segue Cristo o faz oferecendo a vida. “Isso nos coloca diante da verdade central de nossa consagração religiosa. Confiar no Senhor significa nos entregarmos a Ele sem reservas”. Não somente doando o que é “material e o supérfluo, mas os nossos gostos e opiniões. A entrega da própria vida não é algo opcional, mas a consequência de um coração que foi tocado pelo amor de Deus”.

 A Ordem das Mercês ecoa o Evangelho da salvação 

Francisco pediu aos mercedários para que “não se deixem levar pela tentação de considerar seu sacrifício e entrega como uma inversão destinada ao lucro pessoal, a fim de alcançar uma posição ou uma segurança de vida”.

“Esforcem-se para tornar realidade essa oblação e consagração ao serviço a Deus e aos homens, vivendo a alegria do Evangelho através do carisma da redenção. Aqueles que se deixam salvar pelo Senhor são libertados do pecado e da tristeza, do vazio interior e do isolamento.”

O Papa sublinhou que “doar a vida é encontrá-la naqueles que foram redimidos pelo Senhor através do nosso exemplo e testemunho”.

“A Ordem das Mercês ecoa o Evangelho da salvação que diz: «O Senhor visitou e redimiu o seu povo» (Lc 1,68). O gesto de “visitar e libertar” marca sua vocação e ação missionária. Vocês são chamados a sair para salvar os cristãos que correm o risco de perder a fé, que são privados de sua dignidade como pessoas e envolvidos em princípios e sistemas opostos ao Evangelho.”

O cristão é ameaçado por três inimigos

Segundo Francisco, “hoje, como em outras épocas da história, o cristão é ameaçado por esses três inimigos: o mundo, o demônio e a carne. Não é algo do passado, mas do presente. Esses perigos são às vezes camuflados e não os reconhecemos, porém, suas consequências são evidentes, adormecem a consciência e provocam uma paralisia espiritual que leva à morte interior. Devemos também estar atentos a não cair nesse estado de falta de vitalidade espiritual. Pensemos na mundanidade espiritual que entra de forma sutil em nossa vida e vai desaparecendo a beleza e a força do primeiro amor de Deus em nossas almas”.

“Como membros de uma ordem redentora, vocês devem experimentar primeiramente em si mesmos a redenção de Cristo para ajudar os seus irmãos a descobrir o Deus que salva. “Redimidos para redimir”, essa é uma boa definição de sua vida e vocação”, disse o Papa aos mercedários.

Ser portadores da redenção do Senhor

Francisco os exortou a ir adiante como “portadores da redenção do Senhor aos encarcerados, refugiados e migrantes, aos que caem nas redes do tráfico de pessoas, aos adultos vulneráveis e às crianças órfãs e exploradas. Levem a todos os descartados pela sociedade a ternura e a misericórdia de Deus”.  

O Papa incentivou os mercedários em sua vocação e missão, pedindo-lhes para que “não se cansem de ser instrumentos de liberdade, alegria e esperança”.

 



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