Artigo semanal de Dom Antonio Carlos Rossi Keller: Levou até ao extremo o seu amor (João 13, 1)

Levou até ao extremo o seu amor (João 13, 1)

 

No Evangelho deste Domingo (Marcos 12,38-44), lemos que só o amor pode explicar e justificar o que a viúva pobre fez, ao dar ao Templo tudo o que possuía.

Deus é amor e, por isso, é exagerado nas manifestações de benevolência para com as suas criaturas. Porque é amor, Ele deixa as noventa e nove ovelhas no deserto e vai à procura da ovelha perdida, até a encontrar (Lucas 15, 4). Faz festa, ao achar a tresmalhada. Porque é amor, é o Pai que se põe a caminho ao encontro do filho pródigo que O abandonara (Lucas 15, 20). O abraço do reencontro é o começo da festa. Também porque é Amor, Deus se encarnou no seio virginal de Nossa Senhora. Jesus sofreu e morreu, porque «levou até ao extremo o Seu amor» (João 13, 1).

Na Paixão do Senhor, quando Pilatos enviou Jesus a Herodes, este O desprezou e troçou dele, tratando-O como louco (Lucas 23, 11). Na verdade, vistas as coisas só com olhos humanos e terrenos, que loucura divina a de vir à procura de seres tão pequenos e mortais! Vir travar amizade com pecadores renitentes! O amor, quando é Amor, não é entendido facilmente pela estreiteza do pensamento interesseiro e calculista dos homens.

Quando alguém se deixa tocar e possuir pelo amor de Deus, sente-se impelido a responder de forma semelhante, a retribuir sem restrições e sem medida. Amor com amor se paga, diz o ditado popular.

Jesus teve olhos para ver a viúva pobre, como sempre teve olhos para ver os mais pequeninos! Porque amava a Deus e amava também o templo da presença divina entre os homens, aquela mulher quis dar tudo, na simplicidade do seu coração. Não deu do que lhe sobrava, não se desprendeu do supérfluo – como, por vezes fazem os ricos – mas ofereceu do que era seu e lhe fazia falta. Deu, renunciando a toda a espécie de «seguros de vida». Confiou o futuro à Providência do Criador. Consciente da sua pequenez e da sua pobreza diante de Deus, sabendo que dele recebera tudo o que possuía, retribuiu, em generosidade e com mãos abertas, como uma forma de ação de graças. «Deus ama o que dá com alegria» (2º Coríntios 9, 7). «A felicidade está mais em dar do que em receber» (Atos 20, 35).

Há pessoas capazes de doar tudo. O desapego é uma forma de liberdade e de confiança em Deus. Todos os bens são passageiros e só vale, para a vida eterna, o que dermos neste mundo.

Importa viver o dia-a-dia, sem armazenar. Que transformação se verificaria na terra, se houvesse desprendimento das riquezas, se existissem mais pessoas dispostas a repartir, menos desperdício em superficialidades! Como é necessário que se pense em erradicar a miséria! Provavelmente, a maior parte de nós estamos em condições de auxiliar, eficazmente, pelo menos um caso concreto! Por amor! Por Deus, que é Amor! O Evangelho convida-nos a isso, com as palavras: «Recebestes de graça, dai de graça». E não esqueçamos: «Quando deres esmola, que a tua mão esquerda não saiba o que fez a direita!» (Mateus 6, 3).

Aprendamos, da Liturgia da Palavra deste Domingo, a sermos generosos e bondosos. Mais ainda, aprendamos a nos preocupar com as necessidades espirituais e materiais de nossos irmãos, para nos assemelharmos a Jesus Cristo, Nosso Senhor, que sendo Deus, despojou-se de tudo, para o nosso bem e a nossa salvação.



Cadastre-se e receba as Principais Notícias da Diocese no seu Email