Artigo da semana de Dom Antonio Carlos Rossi Keller: O dom da sabedoria

O dom da sabedoria

 

O Evangelho deste Domingo (Marcos 10,17-30) nos mostra um jovem que se encontra com Jesus. Tinha fé na divindade do Mestre, porque se ajoelhou diante dele para adorá-lo.

Perguntou sem mais demoras: Mestre, que hei de fazer para alcançar a vida eterna? É uma pergunta que todos gostaríamos de fazer a Jesus. Ele levava uma vida limpa, porque, interrogado sobre os Mandamentos, respondeu que sempre os tinha cumprido. Jesus olhou para ele e mostrou simpatia por este rapaz, porque era sincero. No entanto, este encontro terminou de modo desagradável, porque este jovem quis pôr limites ao seu amor e generosidade.

Como condição para alcançar a vida eterna – para entrarmos no Céu para sempre – temos de começar por cumprir todos os Mandamentos com delicadeza e amor, porque nenhum deles passou de moda. Continua a ser atual a honradez nos negócios, o respeito pela vida, a pureza e a veracidade. Os Mandamentos da Lei de Deus não são imposições arbitrárias, mas manifestações do amor de Deus por nós.Ele nos quer felizes e realizados.

O Senhor que nos criou dá-nos indicações muito concretas sobre o caminho para respeitarmos a nossa integridade física e moral. O pecado em todas as suas formas deforma-nos. Não podemos amar a Deus e não fazer caso destas indicações que são fruto do Seu Amor por nós. A comunhão com Deus e com os irmãos não é sentimento oco, mas deve converter-se em obras e atitudes de vida.

A resposta deste jovem, depois de ouvir enunciar cada um dos Mandamentos, é eloquente: «Mestre, tudo isso tenho eu cumprido desde a juventude.» Oxalá cada um de nós pudesse dizer o mesmo com toda a sinceridade.

A fidelidade começa nestas coisas fundamentais da nossa vida e abraça também as coisas pequeninas de cada dia. É assim a pessoa fiel. Tudo para ela tem importância.

Este jovem conquistou o Coração Divino do Mestre pela sinceridade com que falava. «Jesus olhou para ele com simpatia.» Os jovens, de princípio, são sempre generosos. Jesus pede-lhe que dê mais um passo em frente para ser totalmente livre, desprendendo-se de todos os bens e ajudando os que precisam.

Muitas vezes somos tentados a olhar o desprendimento das coisas materiais como um caminho para poucos quando, na verdade, é caminho para todos os cristãos. Jesus veio libertar os cativos, não apenas os que estão na prisão ou no cativeiro, mas aqueles que não têm liberdade porque entregaram a sua vida ao cuidado dos bens.

Cada um, segundo a sua vocação, vive o desprendimento de acordo com o carisma. Mas o coração livre, é condição para seguir a Cristo.

Não fazer dos bens materiais um ídolo ao qual sacrificamos os afetos e preocupações é fundamental para o cristão.

Aprendamos desta cena do Evangelho a sermos sempre generosos com aquilo que Deus nos pede. E rezemos pelo bom êxito do Sínodo dos Jovens, que acontece em Roma de 03 a 28 de outubro.



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