Artigo da semana de Dom Antonio Carlos Rossi Keller: A Eucaristia é Mistério da Fé

A Eucaristia é Mistério de Fé.

 

A Eucaristia é um grande Mistério, mistério de misericórdia, mistério que supera os nossos pensamentos e só pode ser aceito pela fé: “Que mais poderia Jesus ter feito por nós? Verdadeiramente, na Eucaristia demonstra-nos um amor levado até ao “extremo” (Cfr. João 13, 1), um amor sem medida” (São João Paulo II, A Igreja vive da Eucaristia, n. 11).

“A Igreja recebeu a Eucaristia de Cristo seu Senhor (…) como o dom por excelência, porque dom dele mesmo, da sua Pessoa na humanidade sagrada, e também da sua obra de salvação” (São João Paulo II, l.c. n. 11).

A Eucaristia está inseparavelmente unida ao Mistério Pascal: “O nosso Salvador instituiu (…) o sacrifício eucarístico do seu Corpo e do seu Sangue para perpetuar, pelo decorrer dos séculos, até Ele voltar, o sacrifício da cruz”, nos diz a Igreja, no Concilio Vaticano II.

É o próprio Jesus quem, no Evangelho de hoje (João 6,41-51) nos ensina: “Quem comer deste pão viverá eternamente”.

A nossa fé na Eucaristia deve ser sustentada pela esperança e permanecer enraizada na fé da Igreja: ninguém pode acreditar sozinho, tal com ninguém pode viver só. Ninguém se deu a fé a si mesmo como também ninguém se deu a vida a si mesmo. Cada um que crê é, assim, um elo na grande cadeia de crentes. Ninguém pode ter a Deus por Pai se não tem a Igreja por Mãe. Não pode crer sem ser amparado pela fé dos outros e pela sua fé contribui também para amparar os outros na sua fé. Esta é a dinâmica do testemunho cristão.

A Igreja edifica-se através da comunhão sacramental com o Filho de Deus imolado por nós. A incorporação em Cristo, realizada no Batismo, renova-se e consolida-se continuamente através da participação no sacrifício eucarístico, sobretudo na sua forma plena que é a comunhão sacramental.

Acreditar em Jesus Cristo consiste não só em aceitar os seus ensinamentos, mas em aderir à sua própria pessoa, compartilhando a sua vida e o seu destino, participando na sua obediência livre e amorosa à vontade do Pai. Pela graça do Espírito Santo, unimo-nos a Jesus, especialmente pela Eucaristia, e tornamo-nos conformes a Ele, procurando segui-lo, “para termos nele a vida eterna.

“O Batismo configura radicalmente o fiel a Cristo no mistério pascal da morte e Ressurreição, revestindo-o de Cristo. A participação na Eucaristia, Sacramento da Nova Aliança, é o vértice da assimilação a Cristo, fonte de vida eterna, princípio e força do dom total de si mesmo” (São João Paulo II, Veritatis Splendor, 21).

São Paulo, ao escrever aos cristãos de Corinto, fazia-lhes ver como as divisões que se davam nas assembleias eucarísticas estavam em contraste com o que celebravam: a Ceia do Senhor (Cfr. 1 Coríntios 11, 17-34). Quem recebe o sacramento da unidade, sem conservar o vínculo da paz, não recebe um sacramento para seu benefício, mas antes uma condenação (Cfr. Santo Agostinho, Sermão 272: PL 38, 1247).

Acolhamos amorosamente esse sacramento sublime, valorizando-o através da recepção frequente e digna.



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