“Este é o meu Filho muito amado, escutai-o”; artigo de Dom Antonio Carlos Rossi Keller

“Este é o meu Filho muito amado, escutai-o”

 

A 1ª Leitura deste 2º Domingo da Quaresma (Gênesis 22,1-2.9.10-13.15-18), nos apresenta Abraão, como um modelo de obediência à vontade de Deus. Depois de completar 75 anos de idade, aguardou mais 25 anos para a realização de uma Promessa, que Deus lhe tinha feito: de que teria um filho, já na velhice. Quando o menino completa 13 anos, Abraão recebe uma ordem de Deus, de que sacrifique seu filho no Monte Moriá. Contra toda a esperança, Abraão decide obedecer a Deus, e este determina que Abraão não sacrifique seus filho, já que o que pretendia era provar a sua fé. Por sua obediência a Deus, Abraão recebe outra Promessa: a de que seria o pai de uma grande nação, tão numerosa “como as estrelas do céu e como as areias da praia do mar”. Muitos séculos mais tarde, junto àquele mesmo monte, Nosso Senhor ofereceu-se na cruz, pela remissão de nossos pecados. Inaugura-se aí o tempo da Igreja, Mãe de numerosas nações e povos espalhados por todo o mundo.

Abraão, com sua fé e sua obediência inquebrantáveis nos ensina a colocar Deus sempre em primeiro lugar em nossas vidas, a tudo sacrificar por amor a Ele. Deus nunca se deixa vencer em generosidade. Se formos generosos, Ele nos dará mais do que podemos imaginar.

Da mesma forma que a Abraão, a Promessa de Deus hoje se cumpre através da Igreja, que deve estender-se por todas as nações da terra. A promessa inclui o cuidado de Deus pela Igreja e por cada um de nós. Neste sentido, ouvimos cheios de alegria e esperança as palavras do Apóstolo São Paulo, na 2ª Leitura de hoje (Romanos 8,31-34): “Se Deus é por nós, quem será contra nós?”.  A única realidade que pode afastar-nos de Deus é o pecado. Neste sentido, a Quaresma nos recorda a necessidade de usarmos todas as armas espirituais que dispomos neste combate sem tréguas contra o mal do pecado.

No Santo Evangelho deste Domingo (Marcos 9,2-10), somos convidados a escutar o Filho muito amado de Deus, Jesus Cristo Nosso Senhor.

O Senhor transfigura-se diante de alguns de seus discípulos para fortalecê-los na fé, afim de que pudessem enfrentar com coragem os tristes dias da Paixão e da Morte de Jesus. Neste sentido, o testemunho da Lei, representada por Moisés e o dos Profetas, representado por Elias fortalece a fé daqueles pobres homens, frágeis como todos nós o somos.

Há outro aspecto importante a salientar neste Evangelho da Transfiguração: Nosso Senhor revela aos discípulos, no Monte Tabor, a realidade do homem que vive na Graça de Deus. O pecado, ao contrário, desfigura, borra e apaga a imagem de Deus gravada em nós, pela Graça Batismal. Nosso Senhor, mostrando-se transfigurado indica o que Deus deseja para cada um de seus filhos: que pouco a pouco, contando sempre com a Graça de Deus e lutando bravamente contra o mal do pecado, possamos ir adquirindo as feições de Cristo Transfigurado.

A Quaresma, com seu convite à intensificação da vida de oração, ao abandono do pecado, ao jejum e à mortificação corporal, e ao exercício de uma caridade eficaz, que vai ao encontro das necessidades e dificuldades do próximo, é um tempo santo de renovação espiritual e humana, um tempo de autêntica transfiguração: vamos adquirindo, pouco a pouco a mesma identidade de Jesus, Nosso Senhor Transfigurado.

 



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