A alegria de evangelizar; artigo de Dom Antonio Carlos Rossi Keller

A alegria de evangelizar

 

Celebramos hoje o Dia Mundial de orações pelas Missões. Neste dia lembramo-nos, especialmente de todos os missionários que espalhados pelo mundo, muitos deles em situações de extrema dificuldade, levam com alegria e generosidade a Boa Nova do Evangelho a lugares remotos da terra.

É o dia de também nos lembrarmos de que todos somos missionários, anunciadores da pessoa e do Evangelho de Jesus Cristo no meio do mundo, nas realidades normais de nossa vida. Esta vocação nasce no dia de nosso batismo e devemos vive-la com alegria e boa disposição. Hoje, além de evangelizar os não batizados, para que acolham a mensagem do Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo, cabe-nos também evangelizar os já batizados, muitos dos quais estão da mesma forma longe da Mensagem da Salvação.

No Evangelho deste Domingo (Mateus 22,15-21), vemos como os fariseus andavam sempre à procura de colher Jesus em contradição ou sem resposta para as perguntas que lhe faziam. Desta vez, revoltados como estavam contra o tributo que os romanos cobravam em todo o mundo que dominavam, procuram armar uma armadilha, para surpreender Jesus.

A pergunta era um dilema em que qualquer uma das respostas conspirava contra Jesus: Se dissesse que não era lícito pagar o tributo ao imperador, iriam denunciá-lo aos romanos como revoltoso; se, pelo contrario dissesse que se deveria pagar, sublevariam contra Ele os israelitas, porque aprovava a opressão da sua pátria. Jesus contorna com elegância divina a dificuldade com a resposta que o Evangelho nos transmite: “daí a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”.

Hoje, a pergunta continua a ser dirigida à Igreja: É ou não lícito evangelizar, fazer a proposta da fé cristã, deixando a cada um a liberdade da resposta? Não estamos violentando a liberdade e destruindo tradições quando, como cristãos, nos colocamos diante de povos, culturas, pessoas que desconhecem a fé e propomos a elas a Boa Nova de Jesus? Curiosamente, a mesma sociedade democrática que levanta estas dúvidas, vendo na evangelização um atentado contra a liberdade e a cultura dos povos, não se cansa de nos inundar com a publicidade de coisas úteis, inúteis ou até mesmo nocivas, impondo valores fora do contexto natural dos povos.

A evangelização é um convite amigo, um feliz contágio de amor que deixa a cada evangelizado a liberdade de aceitá-lo ou rejeitá-lo. Devemos fazer continuamente esta proposta amiga, porque desejamos a felicidade temporal e eterna de cada pessoa. Evangelizar é um ato de amor.

A crise atual de valores que atormenta grande parte do mundo ajuda-nos a compreender que, sem a luz do Evangelho, a vida não tem qualquer sabor. Falta a segurança e a alegria. Toda a vida se reduz a algumas sensações que, agradáveis aos sentidos no princípio, acabam por saturar. Que bem o exprimiu Santo Agostinho, dizendo: “Fizestes-nos para Vós, Senhor, e o nosso espírito anda inquieto até que em Vós repouse”.

Peçamos a Deus a graça de sermos autênticos missionários no meio das realidades do nosso dia a dia: a família, o trabalho, as amizades. Ser missionário é, antes de tudo, espalhar ao redor de si a Boa Nova do Evangelho, ou seja, a pessoa e a mensagem de Jesus Cristo, a quem amamos, seguimos e anunciamos e a quem queremos ver amado, seguido e anunciado em todo o mundo.



Cadastre-se e receba as Principais Notícias da Diocese no seu Email