Maria, Arca da Nova Aliança : Artigo de Dom Antonio Carlos Rossi Keller

Maria, Arca da Nova Aliança

 

“Apareceu no Céu um sinal grandioso: uma mulher revestida de sol, com a lua debaixo dos pés e uma coroa de doze estrelas na cabeça. Estava para ser mãe e gritava com as dores e ânsias da maternidade.”, nos diz a 1ª Leitura desta Solenidade (Apocalipse 11,19; 12,1.3-6.10). A visão do Apocalipse – que também se pode referir à Igreja – está cheia de alusões ao mistério da Assunção da Virgem Santa Maria ao Céu que hoje celebramos. O resplendor desta visão celeste alude a Maria, “a cheia de graça”. Dizer assim é o mesmo que proclamá-la Imaculada, Aquela que recebeu a participação da natureza divina – a graça santificante – no primeiro momento da sua existência. Assim foi saudada pelo Arcanjo, na manhã da Anunciação; assim A contemplou Bernadete em Lourdes e os três Pastorzinhos em Fátima. Assim a definiam: “Era uma Senhora mais brilhante que o sol.”. Está revestida de Deus, da Sua graça que recebeu deste o primeiro instante da sua Imaculada Conceição. É para nós um apelo à santidade de vida, à felicidade, procurando estar em graça e fazer a vontade de Deus.

Ter a lua debaixo dos pés significa domínio, realeza. É Rainha porque é Mãe do Rei; além disso, tomou parte como nenhuma outra criatura, na recondução do mundo aos planos do seu Criador. Por isso, na Ladainha, invocamo-la como Rainha dos Anjos, dos Patriarcas, dos Profetas, dos Apóstolos, dos Mártires, da Família. A Realeza de Maria é o melhor e mais generoso dos serviços a todos nós, que somos seus súditos.

A maternidade de Maria é dolorosa, porque tem de defender constantemente os seus filhos atacados pela serpente infernal com brutal ferocidade. Maria é Mãe de Jesus, do Redentor do mundo. “Ela teve um filho homem, que há de reger todas as nações com cetro de ferro.”. Quando Deus veio procurar Adão e Eva para lhes oferecer a salvação, anunciou solenemente: “Estabelecerei inimizade entre ti e a Mulher, entre a tua descendência e a descendência dela. Ele esmagar-te-á a cabeça e tu armarás ciladas ao seu calcanhar.” (Genesis 3, 15).

Satanás vomita o seu ódio contra Deus em cada um de nós, promovendo para nós, uma vida infeliz no mundo: guerras, atentados, ódios, roubos, assassinatos. Quando ouvimos notícias de tantos crimes, quase nunca nos lembramos de que todas estas pessoas se colocaram ao serviço do Demônio, transformando-se em demônios à solta. Para além dos crimes que a Comunicação Social nos noticia, há os muitos pecados que escravizam as pessoas e as empurram para o inferno. É uma guerra contra Deus que o demônio promove no mundo, vingando-se, nas pessoas do seu furor e ódio ao Altíssimo.

Depois da queda dos nossos primeiros pais, Deus revelou-nos a existência de uma guerra que se trava no mundo entre os filhos de Deus e os que se entregaram à serpente. À frente do exército do Povo de Deus está uma Mulher que o Pai escolheu para Mãe de Seu Filho encarnado. Combatem ao lado de Maria os que ajudam os seus irmãos no caminho da Salvação, praticando a caridade sob todas as formas. Do outro lado, servindo a Satanás, estão os escandalosos e aqueles que procuram arrastar ao pecado as outras pessoas.

A arma mais perigosa e mais usada pelo inimigo é a mentira, tentando convencer-nos de que deseja e procura a nossa felicidade, ao mesmo tempo em que nos apresenta Deus como inimigo da nossa felicidade e liberdade. Ele, como disse Jesus, é “o pai da mentira.”. Celebremos a Solenidade de hoje olhando para Nossa Senhora, que do céu, olha por nós.



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